Ex-deputada da Gronelândia alerta para “tomada de controlo suave” dos EUA e interesses pessoais de Trump
Publicado em 02/02/2026 10:11
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A ex-deputada gronelandesa Tillie Martinussen revelou, em entrevista à Lusa, preocupações sobre o crescente interesse dos Estados Unidos na Gronelândia, que vão além da geopolítica, e alertou para uma possível “tomada de controlo suave” da ilha pelo país norte-americano.

Martinussen, que integrou o Parlamento da Gronelândia entre 2018 e 2021 pelo partido Suleqatigiissitsisut, recorda uma visita americana em 2019, quando uma comitiva de cerca de 10 a 12 conselheiros e diplomatas dos EUA se reuniu com membros do Parlamento e do governo gronelandês. Na altura, tratava-se sobretudo de negócios e investimentos, incluindo mineração sustentável, sem referência direta a questões de segurança nacional.

Segundo a ex-deputada, o que chamou atenção foi o súbito interesse de Washington, levando-a a alertar Copenhaga sobre possíveis intenções de influência gradual. “Ninguém falava de segurança, só de comércio”, afirmou Martinussen, destacando que o desanuviamento das rotas marítimas devido ao degelo aumenta o interesse estratégico de várias potências, incluindo os EUA, na região do Passagem Noroeste.

Martinussen considera que o interesse de Donald Trump na Gronelândia tem motivações pessoais: “Ele quer garantir que ele, a sua família e os seus amigos ricos fiquem mais ricos e beneficiem da sua presidência”. A antiga deputada teme que, ao longo do tempo, os Estados Unidos possam exercer influência crescente, transformando a Gronelândia num território cada vez mais dependente da sua política e economia.

 

Apesar da escalada retórica de Trump, incluindo declarações sobre uma possível anexação da ilha em janeiro, negociações diplomáticas continuam em curso entre Gronelândia, Dinamarca, Estados Unidos e a NATO, sem resultados concretos até ao momento. Martinussen alerta que a vigilância política e a consciencialização da população gronelandesa são fundamentais para evitar que interesses externos se sobreponham à soberania local.

Fonte:sicnoticias / Foto:Governo da Groenlândia / Divulgação)

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