Aos 25 anos, Frederico Perestrelo Pinto foi escolhido para coordenar a Reforma do Estado. O ordenado de 4.400 euros e o curto percurso profissional levantam questões, mas o Governo defende a "excelência académica" do técnico.
O Grupo de Trabalho para a Reforma do Estado, um dos projetos estruturantes do executivo de Luís Montenegro, conta com um novo rosto na sua coordenação. Frederico Perestrelo Pinto, de 25 anos, foi recentemente nomeado consultor coordenador, um cargo com uma remuneração mensal de 4.404 euros — valor equivalente ao salário de um deputado da Assembleia da República.
A nomeação, assinada pelos ministros das Finanças, Presidência e Reforma do Estado, está a suscitar debate devido aos laços familiares do jovem economista: Frederico é irmão de Pedro Perestrelo Pinto, o atual chefe de gabinete do Primeiro-Ministro.
Currículo sob os holofotes
Até abril de 2025, o novo consultor era ainda estagiário na EDP Renováveis, em Madrid, cidade onde trabalhava como analista de mercado desde maio. O currículo publicado em Diário da República foca-se na sua formação académica, mas omite detalhes cronológicos que constam no seu perfil público no LinkedIn, onde se percebe que a sua experiência profissional fora de estágios é inferior a um ano.
O que dizem as partes envolvidas
O Governo e o círculo próximo de Montenegro rejeitam qualquer favorecimento:
O Gabinete do Primeiro-Ministro: Pedro Perestrelo Pinto assegurou, por escrito, que não teve qualquer intervenção na escolha. Afirmou desconhecer a proposta até ser informado pelo próprio irmão e sublinhou a "autonomia e independência" da carreira de Frederico.
Ministério da Reforma do Estado: Justifica a contratação com o "brilhantismo" do percurso académico do jovem, que conta com uma licenciatura na Nova SBE (17 valores) e um mestrado na prestigiada Universidade Bocconi, em Milão (pontuação máxima na tese). Segundo o Ministério, Frederico Pinto superou um processo de recrutamento que incluiu análise curricular e entrevista.
O Grupo de Trabalho onde o economista agora se integra tem como missão racionalizar a administração pública e deverá concluir os seus trabalhos até ao final de 2026.

Fontes - CNNPORTUGAL / Imagem - Executive Digest /Linkedin