A economia russa enfrenta sinais claros de enfraquecimento, com o crescimento a abrandar e os preços do petróleo, principal fonte de receita do país, a cair. Este cenário está a obrigar o Kremlin a aceitar negociações de paz em Abu Dhabi, num momento em que a economia e a demografia do país atingem limites críticos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu as previsões de crescimento da Rússia para 0,8% em 2026, valor inferior ao de muitas economias ocidentais. O preço do barril de petróleo Ural caiu para 50 dólares, impactando fortemente as contas públicas, já que os combustíveis fósseis representavam 40% do orçamento em 2022 e apenas 25% atualmente. Adicionalmente, a Índia, um dos maiores compradores de hidrocarbonetos russos, prepara-se para reduzir importações, após acordo comercial com os Estados Unidos.
Para financiar a invasão, o Estado tem aumentado gastos militares à custa de cortes em educação, saúde e bem-estar, enquanto o IVA subiu para 22%, maior que no Reino Unido e na Alemanha. A população russa continua a diminuir desde 2019, chegando a 143,5 milhões em 2024, devido a baixas de guerra e emigração, criando escassez de mão de obra.
O sistema bancário enfrenta também dificuldades sérias: empréstimos malparados atingem 11%, os lucros caíram 8% em 2025 e o retorno de capital caiu para 18%. O Banco de Crédito de Moscovo, sétimo maior do país, perdeu cerca de 9 mil milhões de rublos nos últimos três meses de 2025, com empréstimos vencidos a aumentar 700%, correspondendo a 28% da carteira total.
Segundo os serviços secretos ucranianos, a crise é ainda mais profunda do que aparenta, já que o Banco Central russo permitiu que empréstimos problemáticos fossem reclassificados como dívida reestruturada, tentando mostrar estabilidade num sistema dominado por bancos estatais.
O cenário de estagnação económica, queda das receitas energéticas e colapso do crédito evidencia o fim do modelo de “economia de guerra” e obriga Moscovo a recorrer à diplomacia em busca de soluções.
Fonte:CNN Portugal / Foto: A.Savin