Os Estados Unidos e a Rússia decidiram restabelecer o diálogo direto entre responsáveis militares de alto nível, no âmbito das negociações de paz sobre a guerra na Ucrânia que decorrem em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A informação foi avançada pelo Comando Europeu das Forças Armadas norte-americanas (EUCOM).
Segundo o EUCOM, a retoma deste canal de comunicação é vista como um elemento essencial para a estabilidade internacional, ao permitir maior transparência, reduzir riscos de escalada e promover a desescalada de tensões. O organismo sublinha que a paz não pode ser assegurada apenas através da força militar.
O entendimento foi alcançado após reuniões entre o general Alexus Grynkewich, comandante do EUCOM e também Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa, e altos responsáveis militares da Rússia e da Ucrânia. O novo mecanismo permitirá contactos regulares entre as forças armadas enquanto prosseguem os esforços diplomáticos para alcançar uma solução duradoura para o conflito.
A comunicação militar direta entre Washington e Moscovo estava suspensa desde 2021, poucos meses antes da invasão russa da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. A decisão de retomar o diálogo ocorre numa altura de agravamento da situação no terreno, com a intensificação de ataques russos à infraestrutura elétrica ucraniana e relatos de vítimas civis no leste do país.
O anúncio foi feito no mesmo dia em que expirou o tratado New Start, o último acordo de controlo de armas nucleares entre as duas potências, que limitava o número de ogivas nucleares e sistemas de lançamento. Com o fim do tratado, o mundo fica, pela primeira vez desde 1972, sem um mecanismo formal de controlo do armamento nuclear.
Os Estados Unidos defendem que um novo acordo deverá incluir também a China, enquanto Moscovo admite negociações futuras sobre estabilidade estratégica, embora reconheça que o processo será longo e complexo. Organizações internacionais alertam para o risco de uma nova corrida ao armamento nuclear sem regras nem limites claros.
Fonte:Sicnoticias / Foto: Kremlin Press Service