Um arguido no processo relacionado com o grupo 1143 afirmou que o deputado Rui Afonso, do Chega, terá financiado a inscrição de membros da organização no partido e pago valores em dinheiro para que participassem em votações internas.
Segundo o jornal Público, Tirso Faria, identificado como coordenador do núcleo de Santo Tirso do grupo 1143, declarou que “dezenas de membros” terão sido inscritos no partido, com as respetivas quotas pagas, e que terão recebido quantias para votar. O arguido indicou que os valores envolvidos poderão ter rondado entre 3.500 e 3.800 euros.
Também Artur Carvalho, antigo adjunto de Rui Afonso na distrital do Porto, referiu ao diário que terão entrado mais de uma centena de membros ligados ao 1143 e a outros grupos, mencionando igualmente pagamentos superiores a 3.500 euros.
As alegações surgem no contexto da operação “Irmandade”, realizada a 20 de janeiro pela Polícia Judiciária, que levou à detenção de 37 pessoas e à constituição de 15 arguidos adicionais. Em causa estão suspeitas da prática de crimes como discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça agravada, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.
O Ministério Público sustenta que o grupo estaria a estruturar-se com características paramilitares e a planear ações provocatórias para 2026. O grupo seria liderado por Mário Machado, atualmente a cumprir pena de prisão noutro processo relacionado com crimes de ódio.
Até ao momento, não é conhecida qualquer decisão judicial específica sobre as acusações agora tornadas públicas, mantendo-se o caso em investigação.
Fonte:Lusa / Foto:Antonio Pedro Santos