A base açoriana é considerada um "alvo legítimo" pela Guarda Revolucionária devido ao apoio logístico a Israel e aos EUA, mas as limitações do arsenal iraniano garantem a segurança do território nacional.
O xadrez militar no Médio Oriente estendeu o seu mapa até ao meio do Atlântico. Na visão estratégica do Irão, a Base das Lajes, na Ilha Terceira, passou a figurar na lista de alvos militares. O argumento do regime de Teerão baseia-se no Direito Internacional: qualquer infraestrutura que sirva de suporte logístico a operações contra o seu território — como o reabastecimento de caças ou a gestão de comandos — é vista como um objetivo passível de ataque.
Contudo, entre a retórica inflamada e a capacidade de execução existe um abismo de cinco mil quilómetros.
A barreira da tecnologia
Apesar de o Irão possuir o maior inventário de mísseis balísticos da região, o seu alcance está tecnicamente "algemado". A maioria do arsenal iraniano foi desenhada para um propósito específico: atingir Israel.
Alcance limitado: O regime impôs a si próprio um teto operacional de 2.000 km para os seus mísseis.
O "Vazio" Intercontinental: Para atingir os Açores ou o continente português, seriam necessários mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), uma tecnologia que Teerão ainda não domina e que apenas potências como os EUA, Rússia ou China possuem.
O papel das Lajes no conflito
Embora não tenham partido ataques diretos de solo açoriano, as Lajes funcionam como um "posto de gasolina" crucial e um centro de inteligência no Atlântico. É a partir desta base que muitos aviões de reabastecimento operam, permitindo que a aviação norte-americana e israelita mantenha o ritmo das suas missões.
Esta colaboração coloca Portugal, por arrasto, na mira política do Irão. No entanto, especialistas e serviços de inteligência garantem que, para já, a ameaça aos céus portugueses não passa de guerra psicológica. Os mísseis mais avançados de Teerão, como o hipersónico Fattah ou o Sejil, podem ser velozes e letais, mas a sua autonomia termina muito antes de avistarem a costa europeia.
Fonte- CNN Portugal / Foto:Arquivo