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Lajes no radar de Teerão: Uma ameaça geopolítica travada pela distância
Publicado em 02/03/2026 14:20 • Atualizado 02/03/2026 14:21
International
Lages

A base açoriana é considerada um "alvo legítimo" pela Guarda Revolucionária devido ao apoio logístico a Israel e aos EUA, mas as limitações do arsenal iraniano garantem a segurança do território nacional.

O xadrez militar no Médio Oriente estendeu o seu mapa até ao meio do Atlântico. Na visão estratégica do Irão, a Base das Lajes, na Ilha Terceira, passou a figurar na lista de alvos militares. O argumento do regime de Teerão baseia-se no Direito Internacional: qualquer infraestrutura que sirva de suporte logístico a operações contra o seu território — como o reabastecimento de caças ou a gestão de comandos — é vista como um objetivo passível de ataque.

Contudo, entre a retórica inflamada e a capacidade de execução existe um abismo de cinco mil quilómetros.

A barreira da tecnologia

Apesar de o Irão possuir o maior inventário de mísseis balísticos da região, o seu alcance está tecnicamente "algemado". A maioria do arsenal iraniano foi desenhada para um propósito específico: atingir Israel.

Alcance limitado: O regime impôs a si próprio um teto operacional de 2.000 km para os seus mísseis.

O "Vazio" Intercontinental: Para atingir os Açores ou o continente português, seriam necessários mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), uma tecnologia que Teerão ainda não domina e que apenas potências como os EUA, Rússia ou China possuem.

O papel das Lajes no conflito

Embora não tenham partido ataques diretos de solo açoriano, as Lajes funcionam como um "posto de gasolina" crucial e um centro de inteligência no Atlântico. É a partir desta base que muitos aviões de reabastecimento operam, permitindo que a aviação norte-americana e israelita mantenha o ritmo das suas missões.

Esta colaboração coloca Portugal, por arrasto, na mira política do Irão. No entanto, especialistas e serviços de inteligência garantem que, para já, a ameaça aos céus portugueses não passa de guerra psicológica. Os mísseis mais avançados de Teerão, como o hipersónico Fattah ou o Sejil, podem ser velozes e letais, mas a sua autonomia termina muito antes de avistarem a costa europeia.

Fonte- CNN Portugal / Foto:Arquivo

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