O Serviço de Imunohemoterapia, em parceria com a Cardiologia, implementou uma tecnologia de sequenciação de nova geração que permite monitorizar a saúde dos órgãos transplantados através de uma simples análise ao sangue.
A Unidade Local de Saúde (ULS) de São João deu um passo de gigante na monitorização de doentes transplantados com a introdução da prova laboratorial ‘Alo-ADN livre’. Esta técnica inovadora em Portugal utiliza a sequenciação de nova geração (NGS) para detetar biomarcadores no plasma dos recetores, funcionando como um sistema de alerta precoce para a rejeição de órgãos.
O fim do método invasivo
Até agora, a avaliação do estado de um órgão transplantado — como o coração — exigia frequentemente a realização de biópsias. Sendo um procedimento invasivo, a biópsia acarreta riscos para o paciente, além de ser um processo complexo e dispendioso para o sistema de saúde.
Com o novo biomarcador, a avaliação passa a ser:
Não invasiva: Realizada através de uma colheita de sangue (plasma).
Mais frequente: Permite um acompanhamento mais próximo e regular.
Segura e Precisa: Oferece dados quantitativos e reprodutíveis sobre a saúde do enxerto.
Tecnologia de ponta e especialização
A implementação deste teste não depende apenas de tecnologia avançada, mas de um rigor técnico extremo. A quantificação do ADN livre do dador no recetor exige equipamentos diferenciados e uma equipa com elevada experiência em sequenciação genómica.
Embora o projeto tenha arrancado com um foco inicial na Cardiologia, esta abordagem é versátil e poderá ser aplicada a vários tipos de transplante de órgãos sólidos, posicionando o hospital de São João na linha da frente da medicina de precisão em Portugal.
Esta tecnologia permite-nos ler o que o corpo nos diz sem precisar de intervir fisicamente no órgão, garantindo mais conforto e segurança a quem recebeu uma nova oportunidade de vida.
Fonte e imagem- Página Uls São João