Pequim, 15 de maio de 2026 (Lusa) — No encerramento da visita de Donald Trump à China, o governo de Pequim lançou um apelo veemente para a instauração de um cessar-fogo total no Médio Oriente e para a desobstrução imediata do Estreito de Ormuz. O braço de ferro diplomático ocorre num momento em que a navegação naquela via vital — por onde transita 20% do petróleo mundial — permanece estrangulada pelo conflito que envolve o Irão, Israel e os Estados Unidos.
"Esta guerra, que nunca deveria ter ocorrido, não tem qualquer razão para continuar", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Pequim, que mantém uma parceria estratégica profunda com Teerão, é o principal destino do crude iraniano e tem sido a potência mais prejudicada pela paralisia logística no estreito, embora o Irão tenha autorizado, num gesto simbólico durante a cimeira, a passagem de alguns navios de pavilhão chinês.
Consenso Estratégico e Acordos Comerciais Apesar das tensões globais, Xi Jinping e Donald Trump parecem ter encontrado terreno comum em áreas económicas. O Presidente norte-americano confirmou a venda de 200 aeronaves da Boeing à China e manifestou a intenção de Pequim em aumentar a importação de produtos agrícolas e petróleo dos EUA. Ambas as potências acordaram em definir os laços bilaterais como uma "relação de estabilidade estratégica construtiva", com Xi Jinping a reforçar a mensagem de que Pequim e Washington "devem ser parceiros, não rivais".
Divergências sobre Taiwan e Liderança Global Contudo, o clima de cooperação não apagou as divergências históricas. Xi Jinping reiterou os avisos sobre Taiwan, classificando-a como uma linha vermelha que, se ultrapassada, poderá levar ao confronto direto.
Por outro lado, o habitual estilo assertivo de Trump marcou presença nas redes sociais, onde o líder norte-americano comentou as análises chinesas sobre o papel global dos EUA, desvalorizando as teses de "nação em declínio" ao atribuí-las exclusivamente à administração anterior. Trump regressa hoje a Washington, concluindo uma visita de dois dias que, embora marcada por acordos comerciais, deixa por resolver o xadrez militar e político que mantém o Médio Oriente sob fogo.