Hong Kong, China, 18 de maio de 2026 (Lusa)— As autoridades de Hong Kong anunciaram uma monitorização mais rigorosa aos passageiros oriundos do continente africano, numa resposta direta ao recente surto de ébola registado na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda.
O Serviço para a Proteção da Saúde (CHP) da antiga colónia britânica ativou o primeiro nível de alerta — o mais baixo de uma escala de três — e já mobilizou brigadas médicas para o aeroporto internacional. O plano passa por monitorizar a temperatura corporal dos passageiros diretamente nas portas de embarque dos voos referenciados e avaliar de imediato qualquer indivíduo que manifeste sintomas compatíveis com a doença.
Apesar do reforço preventivo, o CHP tentou tranquilizar a população, lembrando que Hong Kong nunca registou qualquer caso de ébola na sua história e que não opera voos diretos para a RDCongo ou para o Uganda. O organismo detalhou que a rota mais frequente utilizada pelos passageiros destas regiões inclui uma escala em Adis Abeba, a capital da Etiópia.
A decisão de Hong Kong surge horas após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decretado o estado de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo patamar de alerta mais grave da instituição. Contudo, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esclareceu que o cenário atual ainda "não preenche os critérios para uma emergência pandémica".
Os indicadores mais recentes na RDCongo contabilizam pelo menos 88 vítimas mortais e 336 casos sob suspeita. O vírus também já chegou a Goma, uma cidade estratégica no leste do país atualmente sob controlo do grupo rebelde M23. No vizinho Uganda, a capital Kampala identificou dois casos confirmados em cidadãos que tinham viajado a partir do território congolês.
A comunidade científica acompanha a situação com preocupação acrescida. A OMS advertiu que a elevada taxa de testes positivos nas amostras iniciais e o aparecimento de casos em capitais como Kampala e Kinshasa sugerem uma propagação significativamente maior do que a documentada. Adicionalmente, o surto atual é provocado pela estirpe Bundibugyo, para a qual, ao contrário de outras variantes do vírus, "não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados".
A agência de saúde das Nações Unidas apelou à cooperação internacional e pediu vigilância reforçada aos países limítrofes — entre os quais Angola —, mas desaconselhou expressamente o encerramento de fronteiras ou restrições comerciais, classificando essas medidas como potencialmente contraproducentes para o combate à epidemia.
A RDCongo tem um histórico severo de combate à doença: enfrentou um surto mais recente no final de 2025 que vitimou 34 pessoas, além da crise severa vivida entre 2018 e 2020, que resultou em perto de 2.300 óbitos. O ébola, caracterizado por uma febre hemorrágica de elevada letalidade, provocou mais de 15 mil mortes em África no último meio século.