(Lusa)— Uma vasta operação internacional coordenada pela Interpol resultou na identificação de quase 4.000 vítimas de cibercrime e na localização de centenas de suspeitos no Médio Oriente e no Norte de África (região MENA). Denominada “Ramz”, a ação decorreu entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026, abrangendo 13 países com o objetivo de desmantelar infraestruturas informáticas maliciosas que causaram perdas financeiras massivas na região.
De acordo com o balanço oficial emitido pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), com sede em Lyon, as autoridades policiais identificaram 3.867 vítimas, efetuaram 201 detenções e localizaram outros 382 suspeitos. Foram ainda apreendidos cerca de 50 servidores que davam suporte às atividades ilícitas. Ao longo da operação, a partilha de informações foi crucial, tendo sido trocados cerca de 8.000 dados e pistas operacionais entre os países envolvidos.
A operação "Ramz" expôs também esquemas graves de criminalidade associada. Na Jordânia, a detenção de 15 indivíduos ligados a falsas plataformas de investimento revelou uma rede de tráfico humano: os operacionais eram cidadãos asiáticos atraídos por falsas promessas de emprego, cujos passaportes foram confiscados à chegada para serem forçados a operar o esquema de burla.
Noutras frentes regionais, as investigações no Qatar detetaram computadores domésticos comprometidos que estavam a ser utilizados secretamente para disseminar vírus e ciberameaças. Já em Marrocos, a polícia apreendeu material informático, telemóveis e discos rígidos que continham dados bancários confidenciais e software especializado em ataques de phishing (burla informática).