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Microplásticos invadem a totalidade das águas do Mondego e do Vouga
Publicado em 18/05/2026 10:44
Nacional
@Lusa

Coimbra — Uma investigação internacional pioneira, liderada pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra), detetou a presença generalizada de microplásticos em todos os pontos de amostragem dos rios Mondego e Vouga. Conforme avançou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) num comunicado enviado à Agência Lusa, os resultados confirmam que este tipo de poluição está amplamente disseminado nos ecossistemas de água doce no interior de Portugal.

O estudo, desenvolvido em parceria com o Indian Institute of Science Education and Research Kolkata, revelou que a contaminação varia consoante a pressão humana na região, estando diretamente associada a atividades urbanas, ao turismo, à agricultura e à presença de infraestruturas locais. A maioria dos resíduos encontrados apresenta dimensões inferiores a um milímetro, sendo as fibras o material mais recorrente. Entre os polímeros mais frequentes destacam-se o polietileno e o polipropileno, compostos habitualmente utilizados no fabrico de embalagens e plásticos de uso único.

Para além de mapear a poluição, a equipa de cientistas avaliou o risco ecológico com base em índices internacionais. Embora as concentrações globais sejam consideradas moderadas, diversas zonas de ambos os rios apresentaram níveis de perigo que oscilam entre o "baixo" e o "potencialmente elevado". Este agravamento do risco deve-se ao tamanho reduzido das partículas, que facilita o seu transporte na água e aumenta a probabilidade de ingestão por parte dos organismos aquáticos.

Seena Sahadevan, investigadora do MARE e líder do estudo, sublinhou que este trabalho fornece uma base de dados fundamental sobre a contaminação fluvial no país, destacando a urgência de uma monitorização contínua e da criação de estratégias de mitigação.

De acordo com a FCTUC, esta investigação representa uma das primeiras avaliações integradas de risco ecológico para estes dois importantes sistemas fluviais da região Centro, oferecendo dados científicos cruciais para a conservação e gestão ambiental em Portugal. O trabalho contou com Sarra Ben Tanfous como primeira autora, além do contributo dos investigadores Abhishek Mandal, Juliana Barros e Gopala Krishna Darbha.

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