MENU
Chefe da diplomacia da UE rejeita condições para passagem no estreito de Ormuz
Publicado em 18/05/2026 11:33
International
@Lusa

Bruxelas — A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, defendeu esta segunda-feira que a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é um princípio "inegociável". À chegada à reunião dos ministros do Desenvolvimento da UE, em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia alertou, em declarações avançadas pela Agência Lusa, que a aceitação de condições ao tráfego marítimo naquela rota internacional pode abrir um precedente perigoso à escala global.

"Se começarmos a impor condições sobre o que pode ou não passar, então já estamos a aceitar que limitar essa passagem é, de certa forma, legítimo, e é isso que torna a situação difícil", advertiu Kallas, sublinhando que o bloco comunitário está a encetar esforços diplomáticos para convencer todos os intervenientes a respeitar a abertura das vias marítimas.

Admitindo que a União Europeia dispõe de uma influência limitada perante as partes envolvidas, Kaja Kallas instou explicitamente os Estados Unidos e o Irão a cessarem as hostilidades e a procederem à reabertura total do Estreito de Ormuz. O apelo surge num momento em que Teerão afirma estar a negociar com Omã e outros parceiros a criação de um novo mecanismo de controlo para a região. No passado sábado, as autoridades iranianas revelaram que vários países europeus já iniciaram contactos para obter autorizações de tráfego na zona, que se encontra bloqueada desde o final de fevereiro devido ao conflito no Médio Oriente.

O bloqueio desta passagem estratégica — por onde circula habitualmente cerca de 20% do petróleo mundial — tem gerado fortes perturbações nos mercados internacionais, servindo de trunfo geopolítico para o Irão. Recentemente, Teerão autorizou a circulação de mais de 30 navios mercantes da China, país que se mantém como o principal importador do crude iraniano.

Kaja Kallas classificou ainda como "positivo" o entendimento alcançado na semana passada entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, relativamente à necessidade de desimpedir o estreito. A diplomata europeia expressou a expectativa de que Pequim utilize o seu ascendente sobre Teerão para resolver o impasse, lembrando que a crise naquela rota comercial "tem um enorme impacto sobre as populações mais vulneráveis do mundo", mesmo numa altura em que vigora um frágil cessar-fogo na região desde o passado dia 8 de abril.

Comentários