Gotemburgo, Suécia, 19 mai 2026(Lusa) — Os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, a par do investimento financeiro na Defesa por parte dos Aliados, vão dominar a agenda da reunião dos chefes da diplomacia da NATO, que se realiza na próxima quinta e sexta-feira em Helsingborg, no sul da Suécia.
Este encontro assume um caráter histórico, sendo a primeira reunião da Aliança Atlântica em território sueco desde a adesão oficial do país em 2024. O evento servirá também para alinhar posições e preparar a cimeira de líderes agendada para julho, em Ancara.
O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, sublinhou que o esforço orçamental de cada país estará sob avaliação minuciosa. O tema coloca uma pressão acrescida sobre Estados-membros como Portugal que, apesar de ter registado uma subida histórica em 2025 ao fixar o investimento na Defesa em 2% do PIB, continua longe da meta de 5% preconizada pela organização. O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, confirmou a sua presença em Helsingborg.
Uma das principais expectativas reside na confirmação da presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Embora a imprensa local dê como certa a preparação da sua viagem, o executivo sueco tem optado pela discrição, não confirmando oficialmente a participação dos Estados Unidos.
Os trabalhos arrancam com dinâmicas bilaterais importantes na quinta-feira, com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, a debater com o primeiro-ministro sueco o modelo de "Defesa Total". Esta é uma estratégia que o país desenvolve desde a Guerra Fria e que articula a preparação militar com a segurança civil. Antes disso, na quarta-feira, a ministra da Defesa sueca, Maria Malmer Stenergard, recebe o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, em Kristianstad.
O programa formal começa ao final da tarde de quinta-feira, incluindo um jantar do Conselho NATO-Ucrânia que contará com a presença dos reis Carlos XVI Gustavo e Sílvia da Suécia. As sessões de trabalho principais entre os ministros estão agendadas para a manhã de sexta-feira.
A escolha de Helsingborg reveste-se de simbolismo geográfico. Situada junto ao estreito de Öresund, à entrada do Mar Báltico e em estreita proximidade com a Dinamarca, a cidade reflete a importância estratégica da integração da Suécia no flanco norte da Aliança.
O encontro, que deverá atrair cerca de um milhar de participantes entre delegações, especialistas e meios de comunicação internacionais, é acompanhado por forte segurança e também por contestação popular, estando já agendados protestos que expõem a persistência de movimentos anti-NATO no país nórdico.