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Líder da Venezuela determina investigação a morte de preso político sob custódia do Estado
Publicado em 19/05/2026 08:26
International
@Lusa

Caracas, 19 mai 2026 (Lusa) — A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias da morte do preso político Víctor Hugo Quero Navas. O óbito ocorreu em julho de 2025, enquanto o cidadão se encontrava sob a custódia do Estado, mas a confirmação oficial por parte das autoridades locais só foi transmitida recentemente.

A posição do executivo venezuelano foi partilhada através de uma nota oficial na rede social Instagram, na qual a Presidência começou por lamentar o falecimento de Carmen Teresa Navas, de 82 anos, mãe de Quero Navas. A idosa faleceu no passado domingo, após mais de 16 meses a denunciar o paradeiro desconhecido do filho, que tinha sido detido em janeiro de 2025.

O comunicado governamental assegura que, desde o momento em que a denúncia foi formalizada, a Presidência determinou uma investigação rigorosa para esclarecer os factos, tendo solicitado o apoio direto da Provedoria de Justiça e do Ministério Público. O governo comprometeu-se ainda a divulgar os resultados e as respetivas medidas assim que as diligências estiverem concluídas.

A morte de Carmen Teresa Navas, provocada por problemas respiratórios, ocorreu escassos dez dias depois de as autoridades confirmarem o óbito do seu filho e pouco após ter sido celebrada uma missa em sua memória na Igreja de La Candelária, em Caracas. O caso de Carmen Navas não é isolado; a imprensa venezuelana contabiliza outras quatro mães que faleceram recentemente no decurso de lutas pela libertação dos seus filhos detidos por motivos políticos.

Relatórios do Ministério do Serviço Prisional detalham que Víctor Hugo Quero Navas, de 52 anos, que se encontrava detido no estabelecimento prisional El Rodeo I, deu entrada num hospital militar em julho de 2025 com um quadro de hemorragia digestiva e febre aguda, vindo a falecer a 24 desse mesmo mês devido a uma insuficiência respiratória secundária a um tromboembolismo pulmonar.

A ocultação da informação gerou uma forte vaga de indignação. Na passada segunda-feira, dezenas de manifestantes — maioritariamente estudantes universitários — concentraram-se em Caracas num protesto de homenagem a Carmen Navas. O ato incluiu o bloqueio temporário de uma das principais autoestradas da capital e culminou em confrontos ligeiros com a Polícia Nacional Bolivariana, que deteve temporariamente alguns jovens quando estes tentavam aproximar-se da sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

De acordo com os dados estatísticos mais recentes da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (EJP), a Venezuela contabiliza atualmente 663 detidos por motivações políticas, entre os quais constam 86 mulheres e 577 homens. O universo de reclusos inclui ainda 27 cidadãos de nacionalidade estrangeira, sendo que, de acordo com fontes da comunidade luso-venezuelana, cinco deles possuem passaporte português.

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