Lisboa, 19 mai 2026 (Lusa) — As companhias de seguros já fecharam 71% dos 205 mil sinistros participados na sequência do comboio de tempestades que atingiu o país no início do ano. De acordo com a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), foram liquidados até ao momento 530 milhões de euros, de um total estimado em 1.300 milhões de euros em indemnizações.
No segmento dos particulares, que concentra a esmagadora maioria das participações, a taxa de regularização situa-se nos 72%, abrangendo processos já encerrados ou com pagamentos de adiantamentos efetuados. No setor empresarial, 64% das ocorrências estão resolvidas, correspondendo a 18.600 casos. A APS detalha que o ritmo de pagamentos atingiu uma média de seis milhões de euros por dia nas últimas duas semanas, permitindo resolver 20 mil processos nesse curto espaço de tempo.
A associação justifica que a maioria dos casos ainda pendentes se deve a fatores externos ao setor das seguradoras, nomeadamente à escassez de materiais no mercado, atrasos nas reparações civis e demora na entrega de orçamentos por parte dos clientes. No caso das empresas, o atraso prende-se com a complexidade técnica na avaliação de perdas operacionais e reconstruções mais demoradas.
O conjunto de temporais — associado à passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta entre o final de janeiro e o início de março — causou uma destruição massiva nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. O balanço total de prejuízos económicos no país ultrapassa os cinco mil milhões de euros, num trágico cenário que resultou também na perda de pelo menos 19 vidas humanas.