Nações Unidas (Lusa) – O diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, classificou como “extremamente preocupante” o impacto sofrido pela Central Nuclear de Barakah, nos Emirados Árabes Unidos (EAU). Numa intervenção perante o Conselho de Segurança da ONU, o responsável alertou que as consequências de uma agressão a esta infraestrutura podem ser muito graves.
Grossi lembrou que, por ser uma central ativa e localizada numa região sensível como o Médio Oriente, o complexo armazena toneladas de material perigoso, tanto no que toca a combustível novo como a resíduos irradiados. Segundo o diretor-geral, um impacto direto resultaria numa fuga de radioatividade com contornos imprevisíveis para o meio ambiente.
O líder da agência explicou que o perigo mais imediato nestes cenários é a perda de energia elétrica exterior. Sem eletricidade para alimentar os sistemas de arrefecimento, a probabilidade de fusão dos núcleos dos reatores dispara substancialmente. Se o pior cenário se materializasse, o plano de contingência obrigaria a ações de proteção civil num raio de várias centenas de quilómetros, incluindo a evacuação de populações, o confinamento em abrigos e a distribuição preventiva de iodo estável.
A reunião de emergência surge após os EAU terem denunciado a queda de um aparelho não tripulado (drone) que causou um incêndio num gerador na região de al-Dhafra. As investigações de Abu Dhabi indicam que o drone partiu do território iraquiano, numa ação atribuída a fações pró-Irão que têm operado na região desde o início da guerra no Golfo.
Como nota positiva de última hora, a AIEA confirmou que o fornecimento elétrico à central de Barakah já foi totalmente reabilitado. Apesar de a tensão política continuar elevada, o restabelecimento da energia foi considerado pela agência como um passo crucial para garantir a estabilidade e a segurança nuclear no local.