MENU
Vance pressiona europeus a assumirem segurança do continente excluindo retirada total dos EUA
Publicado em 20/05/2026 08:37
International
Foto: Shawn Thew

Washington (Lusa)– O vice-presidente norte-americano, JD Vance, descartou uma saída total do contingente militar dos Estados Unidos na Europa, embora tenha admitido uma reconfiguração das forças com base nos interesses estratégicos de Washington. Numa declaração prestada na Casa Branca, Vance defendeu que este reposicionamento deve servir de incentivo para que os países europeus assumam uma maior responsabilidade na sua própria defesa.

O governante reiterou que o seu país não pode continuar a agir como o "polícia do mundo" e sublinhou que a administração liderada por Donald Trump procura ser um "bom aliado". A clarificação surge na sequência da ordem da Casa Branca para retirar 5.000 soldados destacados na Alemanha, uma decisão que analistas associam às recentes críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre a condução do conflito norte-americano com o Irão.

Além da Alemanha, a administração Trump já admitiu a possibilidade de estender a redução de tropas a Itália e a Espanha, num quadro de crescente tensão diplomática com o sul da Europa devido a divergências sobre o uso de bases militares e posicionamentos geopolíticos na crise do Médio Oriente. Em contrapartida, no que diz respeito à Polónia, o vice-presidente assegurou que não há uma redução do contingente, mas apenas um atraso logístico e de rotina na rotação das forças.

Apesar do tom crítico de Washington face à falta de apoio de alguns parceiros da NATO no conflito com o Irão, a Aliança Atlântica veio a público garantir que a segurança do continente não está em causa. Em Bruxelas, o Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), general Alexus G. Grynkewich, assegurou que a retirada dos 5.000 militares não compromete a capacidade de dissuasão da organização nem afeta a viabilidade dos planos de defesa regionais.

Segundo o comandante, esta redistribuição insere-se no conceito da "NATO 3.0", que prevê que os Estados Unidos reduzam gradualmente a sua pegada militar no continente à medida que o pilar europeu se fortalece. A expectativa é que este recuo estratégico avance em paralelo com o aumento dos investimentos militares acordados pelos aliados europeus na cimeira de Haia, permitindo a Washington focar-se no fornecimento de capacidades críticas que a Europa ainda não consegue assegurar de forma autónoma.

Comentários