Lisboa, 22 de maio de 2026 — Já está no terreno, desde o início deste mês, a nova Via Verde do Choque Cardiogénico. Trata-se de um projeto-piloto da Direção-Geral da Saúde (DGS) que arrancou em três unidades hospitalares de referência: o Hospital de São João (Porto), o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Hospital de São José (Lisboa). O objetivo é dar uma resposta célere a esta emergência cardiovascular, cuja taxa de mortalidade ultrapassa atualmente os 50%.
Segundo adiantou à agência Lusa a coordenadora do projeto e diretora do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares da DGS, Fátima Franco, a iniciativa pretende criar uma rede de referenciação rápida e estruturada. A prioridade é detetar precocemente os doentes e garantir que são imediatamente transferidos para centros com capacidade técnica diferenciada, eliminando as perdas de tempo que costumam agravar o prognóstico de quem dá entrada em hospitais periféricos.
O choque cardiogénico — caracterizado por uma falência cardíaca circulatória onde o coração perde a capacidade de bombear sangue suficiente para as funções vitais do organismo — afeta cerca de 800 pessoas por ano em Portugal. Ao contrário do enfarte agudo do miocárdio, que tem uma mortalidade entre 3% e 5%, o choque cardiogénico é muito mais letal e difícil de diagnosticar, sendo quase sempre identificado já dentro do ambiente hospitalar.
De acordo com as informações avançadas pela Lusa, esta fase de testes vai durar entre seis a 12 meses. O período servirá para afinar os critérios clínicos e avaliar o modelo de funcionamento antes de o expandir a outros pontos do país. Para já, o transporte dos doentes críticos será assegurado pelo INEM e por equipas de transporte inter-hospitalar. Paralelamente, haverá um forte investimento na formação das equipas dos hospitais afiliados para que consigam reconhecer os sintomas mais cedo e articular o socorro com os centros cirúrgicos e de cuidados intensivos.