(Lusa) - Centenas de reclusos da prisão de Barinas, no oeste da Venezuela, protagonizaram um protesto este domingo para denunciar alegados casos de tortura e exigir a destituição do diretor do estabelecimento prisional.
Segundo informações avançadas pela agência AFP, os detidos assumiram o controlo da prisão e concentraram-se no telhado do edifício, onde exibiram faixas com mensagens como “SOS” e “Estão a torturar-nos”, enquanto gritavam palavras de protesto contra os alegados abusos.
Durante o protesto, vários colchões e lençóis foram incendiados, originando grandes colunas de fumo visíveis a partir do exterior da prisão, situada a cerca de 500 quilómetros de Caracas.
No exterior do estabelecimento, agentes policiais com escudos cercaram a zona, enquanto dezenas de familiares aguardavam informações sobre os reclusos.
Uma das familiares, Yelitza Arrollo, afirmou à AFP que não tem notícias do filho desde o início do mês e denunciou alegadas agressões e maus-tratos dentro da prisão.
Segundo o testemunho, os presos terão sido sujeitos a espancamentos, descargas elétricas e outras formas de violência. Os familiares exigem o afastamento imediato do diretor da unidade prisional.
A Observatório Venezuelano de Prisões denunciou igualmente a situação e revelou que mais de 1.200 homens e cerca de 100 mulheres detidos no estabelecimento aderiram a uma greve de protesto.
A organização não-governamental acusa ainda as autoridades penitenciárias de impedirem visitas familiares e de responderem às manifestações dos presos com disparos e gás lacrimogéneo.
Até ao momento, as autoridades venezuelanas não divulgaram qualquer comunicado oficial sobre o incidente nem confirmaram o número de eventuais feridos.
Os problemas no sistema prisional venezuelano têm sido denunciados de forma recorrente por organizações de direitos humanos, que apontam casos de sobrelotação, falta de assistência médica e sucessivas violações dos direitos dos detidos.