A marca de águas Penacova encontrou uma forma original de contornar a recente taxa ecológica que entrou em vigor no país. Ao lançar no mercado um formato inédito de 3,1 litros, a empresa consegue deixar o novo produto fora do radar do sistema "Volta", que taxa as embalagens de bebidas em 10 cêntimos.
O segredo do planeamento está nos detalhes da própria lei: a normativa do sistema "Volta" estipula que o depósito extra de 10 cêntimos — reembolsável após a devolução da embalagem intacta em postos próprios — é aplicado apenas a recipientes de plástico, metal ou alumínio com capacidade até três litros. Ao desenhar uma garrafa ligeiramente acima desse limite (com mais 100 ml), a Penacova garante que o consumidor não terá de pagar o valor adicional no ato da compra.
A empresa promove a nova aposta como a opção "mais versátil do mercado", destacando que o tamanho foi pensado para caber no frigorífico, aliando a conveniência de um formato familiar à vantagem financeira imediata de ignorar a nova taxa.
Embora o sistema "Volta" permita recuperar o dinheiro caso os vasilhames sejam entregues em condições nas máquinas automáticas, as associações de defesa do consumidor deixam avisos. Segundo dados da DECO PROteste, o esquecimento ou a simples decisão de não devolver as embalagens pode custar cerca de 36 euros por ano a quem consuma apenas uma garrafa de água por dia. Para famílias numerosas, o prejuízo anual estimado pode ultrapassar a fasquia dos 130 euros.
Implementado há pouco mais de um mês, o sistema nacional de depósito e reembolso conta atualmente com 2.500 pontos de recolha e mantém-se em fase de transição até ao dia 9 de agosto.