Lisboa, 31 de maio de 2026 – A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou os procedimentos de resposta a eventuais casos suspeitos de infeção por ébola em Portugal, reforçando as normas de deteção, isolamento e encaminhamento hospitalar.
As novas orientações definem como hospitais de referência o Curry Cabral e o São João, para adultos, e o Dona Estefânia, em Lisboa, para crianças e jovens. Estes hospitais serão responsáveis pela receção e tratamento de casos suspeitos de febre hemorrágica por filovírus, como o ébola e o vírus marburg.
O documento, assinado pela diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, segue recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), no contexto do surto registado na República Democrática do Congo.
Apesar da situação internacional, o ECDC considera que o risco de infeção na Europa permanece muito baixo, devido à reduzida probabilidade de importação e transmissão secundária.
Segundo a DGS, devem ser considerados casos suspeitos os doentes com febre superior a 38 graus e sintomas como vómitos, diarreia, dor abdominal ou hemorragias, especialmente se tiverem viajado recentemente para zonas afetadas.
Perante suspeitas, os profissionais de saúde devem contactar de imediato a DGS e registar o caso no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica. A decisão final de validação cabe à autoridade de saúde, que articula com o INEM para transporte e com o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) para confirmação laboratorial.
As orientações determinam ainda que os casos suspeitos devem permanecer em isolamento, em espaços adequados e ventilados, usando máscara cirúrgica e aguardando a chegada das equipas de emergência médica.
Para viajantes, a DGS recomenda consulta prévia antes de deslocações para zonas endémicas, registo no Portal das Comunidades e seguro de viagem. Após o regresso, devem ser mantidas medidas de vigilância ativa durante 21 dias.
O surto de ébola na República Democrática do Congo, declarado em maio, levou a Organização Mundial da Saúde a emitir alerta internacional. O vírus já se espalhou por várias províncias e também pelo Uganda, onde foram registados novos casos, segundo dados das autoridades de saúde africanas.