Madrid, 06 jun 2026 (Lusa) — O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, gerou polémica este sábado ao traçar um paralelo direto entre o histórico desembarque aliado na Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial, e o fluxo de migrantes que chega por via marítima ao sul da Europa, designadamente a Espanha, Itália, Grécia e Bulgária.
As declarações foram proferidas no Cemitério Americano de Colleville-sur-Mer, junto à emblemática praia de Omaha, em França. Segundo relatos da agência noticiosa Europa Press, o governante norte-americano lamentou que as praias europeias estejam atualmente a ser "assaltadas por outras ideologias perigosas" através da chegada contínua de embarcações, lançando um apelo direto aos governos europeus: "Quando é que as capitais europeias vão fazer alguma coisa perante esta invasão? Ou será que já é demasiado tarde?".
Aproveitando o peso histórico do local, Hegseth exortou os parceiros transatlânticos a unirem esforços com Washington para garantir a segurança global, lembrando que "a paz só se alcança através da força". O chefe do Pentágono defendeu que a estabilidade do mundo depende de uma Aliança Ocidental robusta, com capacidades militares partilhadas e, acima de tudo, uma "firme vontade política" que não hesite em proteger as suas tradições.
O secretário da Defesa norte-americano terminou a sua intervenção com duras críticas ao rumo geopolítico europeu, acusando "grande parte do Ocidente" de se ter acomodado nas décadas que se seguiram ao fim da Segunda Guerra Mundial. Num tom de aviso, Hegseth recordou o sacrifício dos soldados que perderam a vida naquelas mesmas praias francesas para sublinhar que "a liberdade não é gratuita" e que a paz real se conquista com "vontade, honra e força", e não apenas com boas intenções.