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Mais de 600 mil crianças enfrentam o impacto da seca em Portugal, alerta UNICEF
Relatório revela que quase a totalidade dos menores no país coabita com a poluição atmosférica e aponta vulnerabilidade desproporcional do território face aos incêndios.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 11:19
Nacional
@Lusa

Lisboa, 16 jun 2026 (Lusa) — As alterações climáticas estão a desenhar um cenário de risco severo para a infância em Portugal. Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que cerca de 648.000 crianças no país — o equivalente a 40% da população infantil — encontram-se expostas aos efeitos da seca. O documento, denominado Relatório sobre o Risco Climático para as Crianças 2026, foi partilhado esta terça-feira, precisamente na véspera do Dia Mundial de Combate à Seca.

Para lá dos problemas severos de escassez de água, a investigação traz indicadores alarmantes sobre outras frentes ambientais em território nacional. A poluição atmosférica surge como a ameaça mais abrangente, afetando de forma direta mais de 1,5 milhões de crianças (cerca de 93% do total). Adicionalmente, os dados da agência da ONU mostram que a totalidade dos menores em Portugal (mais de 1,6 milhões) convive com o risco de tempestades, ao passo que 469.000 (29%) estão sujeitos a ondas de calor e 474.000 enfrentam a ameaça latente de incêndios.

O estudo coloca Portugal sob os holofotes internacionais devido à sua dimensão geográfica. O país é catalogado como uma das cinco nações de menor território global onde a vulnerabilidade e exposição relativa aos fogos florestais se assume como "desproporcionalmente elevada", partilhando esta preocupação com estados como o Uruguai, a Serra Leoa e a Guiné-Conacri.

A análise estatística da UNICEF demonstra que o perigo raramente surge isolado. Praticamente todas as crianças residentes em Portugal lidam com pelo menos um vetor de risco climático, e uma esmagadora maioria de 67% acumula a exposição a pelo menos dois destes fatores em simultâneo.

Os peritos alertam ainda para o facto de a intensidade destes fenómenos se fazer sentir com maior força no retângulo nacional. Segundo os cálculos obtidos através da Base de Dados Global de Riscos Infantis, 87,14% dos menores portugueses habitam em regiões geográficas onde os níveis de risco se posicionam claramente acima da média global (percentil 75). Numa franja ainda mais vulnerável, cerca de 27,02% da população jovem do país está já sujeita a patamares considerados de "intensidade extrema" (percentil 95).

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