MENU
Irão reafirma que tem controlo sobre Estreito de Ormuz nos próximos 30 dias de negociações
O chefe da diplomacia de Teerão enviou um aviso direto a Washington, condicionando a normalização da rota marítima à retirada das forças militares de Israel do Líbano.
Por Redação
Publicado em 28/06/2026 16:50
International
@Lusa

Madrid, 28 de junho de 2026 (Lusa) — O Governo do Irão lançou hoje um forte aviso aos Estados Unidos ao declarar que detém o domínio total e exclusivo sobre o Estreito de Ormuz ao longo do próximo mês de conversações. A tomada de posição surge acompanhada de uma exigência clara à Casa Branca: a de que pressione Israel a cessar as operações e a retirar as suas tropas do território libanês.

As declarações foram proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, no momento em que iniciava uma visita oficial ao Iraque. Segundo a agência Europa Press, este posicionamento acontece num contexto de escalada de violência regional, marcado por recentes bombardeamentos mútuos entre Teerão e Washington, e pela rejeição do cessar-fogo por parte do Hezbollah — a milícia libanesa aliada do regime iraniano que contesta os termos do entendimento entre o Líbano e Israel.

"Infelizmente, a entidade sionista continua os seus ataques aéreos no Líbano. Os Estados Unidos devem cumprir a sua responsabilidade, obrigar Israel a cessar os seus ataques e a retirar-se das áreas que ocupa no Líbano, pois esta é a primeira cláusula do memorando", defendeu Araqchi, fazendo referência ao documento prévio negociado entre o Irão e a administração norte-americana.

Enquanto o memorando assinado entre as duas superpotências prevê o fim imediato das investidas e o planeamento da saída integral das forças israelitas do Líbano, o acordo bilateral firmado na passada sexta-feira entre Beirute e Telavive introduziu novas variáveis. Esse texto estipula uma "retirada faseada" que fica dependente da entrega das armas por parte do Hezbollah — uma condição que o grupo paramilitar já recusou taxativamente, classificando-a como uma estratégia para fragilizar as defesas do país.

Como forma de pressão sobre o xadrez diplomático, o ministro iraniano foi categórico quanto ao futuro daquela que é uma das rotas comerciais e energéticas mais importantes do planeta. Abbas Araqchi garantiu que "o estreito de Ormuz permanecerá sob total supervisão e gestão do Irão durante os próximos 30 dias". O governante assegurou que o tráfego na totalidade da via navegável só será reestabelecido quando "todos os obstáculos forem removidos".

O diplomata concluiu vincando que a autoridade sobre aquele canal estratégico pertence por inteiro à República Islâmica. "Nenhuma outra parte ou Estado está envolvido. Isto é perfeitamente claro no memorando de entendimento, e qualquer intervenção ou ação unilateral só irá piorar a situação e atrasar a reabertura do estreito", rematou.

Comentários

Mais notícias