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CPLP/30 anos: Guiné-Bissau não apresenta condições para estar na organização – politólogo
Ao contrário do que defende para a Guiné Equatorial, o especialista angolano Almeida Henriques aponta que a instabilidade gerada pelo recente golpe de Estado afasta Bissau dos padrões democráticos exigidos.
Por Redação
Publicado em 28/06/2026 17:06
International
@Lusa

Lisboa, 28 de junho de 2026 (Lusa) — Numa análise crítica inserida nas comemorações das três décadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o cientista político angolano Almeida Henriques afirmou este domingo que a Guiné-Bissau carece de requisitos fundamentais para integrar ativamente o bloco lusófono, traçando um cenário de forte contraste com a situação da Guiné Equatorial.

Em declarações prestadas por telefone à agência Lusa, o especialista em Estudos de Segurança e Militares foi categórico: "Eu penso que, contrariamente à Guiné Equatorial, para mim a Guiné-Bissau não reúne condições para acolher a organização". Na ótica do politólogo, o país necessita de uma profunda reestruturação no seu xadrez político e de um compromisso mais sólido face aos valores democráticos, falhando em corresponder às metas e expectativas institucionais traçadas pela CPLP para a atualidade.

O também docente de Geopolítica e Geoestratégia justificou a sua leitura apontando a fragilidade e a falta de consolidação da própria arquitetura política guineense. Segundo o analista, este panorama frágil impede o desenvolvimento de uma conjuntura interna saudável que consiga alinhar-se com as prioridades e os interesses estratégicos defendidos pela comunidade internacional lusófona.

O cerne da distinção feita pelo académico reside na forma como o poder é disputado e exercido em cada um dos territórios. Almeida Henriques lembrou o forte impacto negativo do golpe de Estado sofrido pela Guiné-Bissau a 26 de novembro de 2025, sublinhando que a rutura violenta da ordem constitucional é um ato estritamente intolerável em qualquer modelo social assente na democracia.

Em contrapartida, e apesar de reconhecer o histórico de práticas repressivas associadas à Guiné Equatorial, o politólogo argumentou que a liderança do Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo — no poder desde 1979 — tem sido legitimada por via eleitoral através do voto popular. "O tempo que um governante fica no poder depende da vontade do povo", defendeu, acrescentando que, residindo a soberania na população, a comunidade internacional não deve colocar em causa os resultados das urnas.

Instado a comentar a forte divergência interna na CPLP sobre a possibilidade de Malabo assumir a liderança rotativa do bloco, Almeida Henriques preferiu alinhar-se com a posição oficial já manifestada pelo Presidente de Angola, João Lourenço, reiterando que o princípio da rotatividade institucional deve prevalecer, independentemente das clivagens políticas que o tema suscite entre os nove Estados-membros que celebram o 30.º aniversário da comunidade no próximo dia 17 de julho.

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