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Secretário-geral do PS acusa ausência de Montenegro para assistir ao Mundial
José Luís Carneiro recorda o exemplo de António Costa em 2022 e exige explicações imediatas do primeiro-ministro sobre a crise na plataforma dos exames nacionais.
Por Redação
Publicado em 07/07/2026 06:15
Nacional
@Lusa

Funchal, Madeira, 07 jul 2026 (Lusa) — O líder do PS classificou esta segunda-feira como "incompreensível" a viagem do primeiro-ministro aos Estados Unidos para ver o Campeonato do Mundo de futebol, lembrando que o território continental português enfrenta restrições severas devido ao risco extremo de incêndios rurais.

Durante uma ação política no Funchal focada nos assuntos do mar, José Luís Carneiro confrontou a postura de Luís Montenegro. "Esperava que o senhor primeiro-ministro tivesse os pés no país", disparou o secretário-geral socialista, sublinhando o contrassenso de o chefe do Executivo se ausentar por motivos de lazer desportivo poucos dias após o próprio Governo ter decretado a situação de alerta civil devido à forte onda de calor.

Para vincar a crítica, Carneiro recuperou o histórico recente e apontou que, no verão de 2022, o antigo primeiro-ministro António Costa e o ex-Presidente Marcelo Rebelo de Sousa anularam uma viagem oficial agendada para Moçambique precisamente para permanecerem em solo nacional a monitorizar o combate aos fogos. Além da questão dos incêndios — cujo estado de alerta deverá ser prolongado pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves —, o líder do PS acusou Montenegro de se remeter ao silêncio perante o caos que afeta milhares de estudantes. "É grave que o primeiro-ministro não tenha uma palavra, um pedido de desculpas às famílias", atirou.

Instado a pronunciar-se sobre a comissão parlamentar de inquérito sugerida pelo Bloco de Esquerda para averiguar o colapso na correção digital dos exames do secundário, José Luís Carneiro adotou uma postura cautelosa. O líder do PS explicou que prefere dar margem ao Governo para apresentar justificações plausíveis no Parlamento. Se a tutela estabilizar o processo, a comissão de inquérito "não será necessária", contudo, o partido não descarta acionar esse mecanismo caso as respostas fiquem aquém do esperado. Em sintonia, o PSD já fez saber que aceita agendar audições de urgência com o ministro da Educação, Fernando Alexandre, mas rejeitou alinhar no cenário de inquérito formal proposto pela esquerda.

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