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Seguro diz que imprensa regional é alicerce da democracia e referência de proximidade
Ao assinalar o centenário do Correio do Minho, o Presidente da República recorda o seu passado no jornalismo local e deixa um forte alerta contra a "ameaça" dos algoritmos de Inteligência Artificial.
Por Redação
Publicado em 07/07/2026 06:29
Nacional
@Lusa

Braga, 07 jul 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, enalteceu esta segunda-feira o papel crucial dos media locais, classificando a imprensa regional como um elemento estruturante da democracia, um motor de progresso para as comunidades e um bastião de confiança, proximidade e serviço público.

As declarações do chefe de Estado foram proferidas em Braga, durante a gala dos 100 anos do jornal Correio do Minho. No seu discurso, Seguro enfatizou que é através destes meios que as populações acompanham o panorama político local e participam ativamente na sociedade. "A imprensa regional fiscaliza o poder, promove a transparência e dá voz a quem, muitas vezes, não encontra espaço nos grandes meios de comunicação", defendeu, destacando a importância deste setor num ecossistema mediático atualmente saturado de desinformação e pelo imediatismo digital.

Num momento mais pessoal, o Presidente partilhou com a plateia que, na sua juventude, foi fundador e o primeiro diretor de um jornal local, uma experiência que recorda com entusiasmo, evocando os contactos que manteve na época com o histórico Jornal do Fundão. Contudo, Seguro admitiu que hoje olharia para o cargo com "inquietação" perante os complexos desafios financeiros que o setor atravessa, elogiando a resiliência do Correio do Minho que, além de registar uma média de 80 mil leitores, soube modernizar-se no digital e traçar uma estratégia de expansão rumo à Galiza.

Apesar dos bons exemplos, o fecho da intervenção de António José Seguro ficou marcado por um aviso severo dirigido às tutelas nacionais e europeias. Para o chefe de Estado, a par da transição digital e da concorrência das grandes plataformas digitais, o jornalismo enfrenta agora uma nova barreira: os chatbots de Inteligência Artificial. O Presidente alertou que estas ferramentas recolhem o trabalho produzido pelas redações e retêm os utilizadores, impedindo o tráfego em direção aos sites que financiam a notícia. "Está em causa a diversidade de vozes, substituída pelo ruído polarizador", rematou, asseverando que a essência e a narrativa das culturas locais são algo "que nenhum algoritmo saberá replicar".

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