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PCP não bloqueia inquérito sobre exames mas exige responsabilização política
Paulo Raimundo desafia ministro da Educação a demitir-se se assim entender, mas avisa: "Não se vai embora antes de garantir que nenhum aluno sai prejudicado".
Por Redação
Publicado em 07/07/2026 06:19
Nacional
@Lusa

Lisboa, 07 jul 2026 (Lusa) – O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, garantiu esta segunda-feira que o partido não vai colocar entraves à comissão parlamentar de inquérito sugerida pelo Bloco de Esquerda para investigar as falhas nos exames nacionais. Contudo, o líder comunista frisou que a prioridade imediata tem de ser a assunção de culpas por parte da tutela e a total salvaguarda dos estudantes.

À saída de uma reunião com o Partido Ecologista "Os Verdes", em Lisboa, Raimundo reconheceu o "mérito" da iniciativa do BE, mas insistiu que há respostas urgentes que o Executivo tem de dar antes de qualquer processo burocrático. "Quem é que assume a responsabilidade política? Essa é a questão grossa", atirou, exigindo também garantias absolutas de que nenhum aluno sairá penalizado pelos atrasos e erros no novo sistema de correção digital.

O líder do PCP criticou fortemente a postura do Ministério da Educação, acusando o Governo de tentar "sacudir a água do capote" e empurrar as culpas para cima dos professores classificadores. Sobre a continuidade de Fernando Alexandre no Executivo, Paulo Raimundo foi perentório: "Se o ministro se quiser demitir, demita-se. Mas há uma coisa que não vai fazer. Não se vai demitir antes de garantir que nenhum aluno sai prejudicado deste processo". Para o dirigente, uma eventual remodelação ministerial não resolve as falhas estruturais que derivam das opções políticas da Aliança Democrática.

Num tom substancialmente mais leve e irónico, o secretário-geral do PCP desvalorizou por completo o coro de críticas da restante oposição à viagem do primeiro-ministro, Luís Montenegro, aos Estados Unidos para assistir ao jogo da Seleção Nacional. "Isso é tudo hipocrisia, demagogia e inveja", atirou entre risos. "Alguns dos que criticaram gostavam de ter lá estado. Basta ver as caras com que afirmam essa indignação para perceber essa inveja. Também gostavam de estar lá abraçadinhos ao Ronaldo, a tirar fotografias", ironizou Raimundo, demarcando-se do ataque cerrado feito pelo PS e pelo Chega.

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