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Coreia do Sul discute com NATO acordo para compras militares
Seul quer abrir as portas de um mercado avaliado em 8,4 mil milhões de euros anuais e propõe parceria revolucionária que vai muito além da simples venda de armas.
Por Redação
Publicado em 08/07/2026 06:22
International
@Lusa

Ancara, 08 jul 2026 (Lusa) — A Coreia do Sul deu o pontapé de saída nas negociações com a NATO para selar um acordo regulador que promete dar um impulso inédito às empresas de armamento sul-coreanas naquele que é considerado o maior mercado global do setor da Defesa.

O anúncio oficial foi feito pelo Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, após uma reunião bilateral em Ancara, na Turquia, com o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte. O encontro decorreu à margem da cimeira da organização, na qual o país asiático marca presença como nação parceira convidada.

Mais tarde, em conferência de imprensa, o conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul, Wi Sung-lac, detalhou que o futuro tratado vai definir as regras jurídicas e logísticas para os contratos de abastecimento entre Seul e a NATO. De acordo com o mesmo responsável, este pacto abrirá caminho para que a indústria militar sul-coreana compita diretamente no sistema de compras conjuntas da aliança, um ecossistema financeiro que movimenta cerca de 8,4 mil milhões de euros todos os anos. Embora não exista uma meta temporal rígida, o governo sul-coreano assume o desejo de fechar o dossiê com a máxima brevidade.

Wi Sung-lac destacou ainda que os países europeus da NATO têm demonstrado um interesse crescente no material bélico sul-coreano, numa altura em que o Velho Continente acelera o seu rearmamento e dispara os orçamentos de Defesa.

Neste contexto, o Presidente Lee Jae-myung aproveitou a sua intervenção num fórum do setor para lançar um desafio ambicioso: criar a "Associação da Indústria de Defesa Coreia do Sul-NATO 2.0". A ideia passa por transcender o modelo tradicional de compra e venda de armamento, avançando para a investigação científica partilhada, linhas de produção conjuntas e a operação coordenada de sistemas de armas. O líder sul-coreano sugeriu ainda a cooperação em alta tecnologia militar e a criação de um sistema coletivo de gestão de reservas de armamento, à imagem do que já se faz internacionalmente com o petróleo.

A cimeira da NATO, que termina esta quarta-feira, tem como temas centrais o aumento do esforço financeiro militar por parte dos parceiros europeus — face a um desinvestimento progressivo dos Estados Unidos — e a continuidade do apoio logístico à Ucrânia.

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