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Cooperativa de Café de Timor-Leste reivindica investimento e alerta para queda de produção
Alvo do impacto das alterações climáticas e de cafezais envelhecidos, o setor — que sustenta 35% dos timorenses — sofreu uma quebra drástica em 2026.
Por Redação
Publicado em 08/07/2026 06:26
International
@Lusa

Díli, 08 jul 2026 (Lusa) — A Cooperativa Café Timor-Leste (CCTL) lançou esta quarta-feira um apelo urgente para que se reforce o investimento financeiro na agricultura do país, com foco especial no café. O organismo adverte que o envelhecimento das plantações e a crise climática estão a asfixiar a produção daquele que é o maior motor de exportação timorense a seguir ao crude.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente da CCTL, Mário Soares, explicou que a produtividade atual quebrou face ao passado. "A produção de café já não é como antigamente, devido às alterações climáticas, à redução da floração dos cafeeiros, ao envelhecimento das plantações e ao facto de muitas pessoas já não tratarem dos seus cafezais", apontou, lamentando que o trabalho de muitos agricultores se limite agora quase em exclusivo à apanha do fruto maduro.

Os números ilustram bem esta realidade oscilante. Depois de ter exportado cerca de 1.600 toneladas de café em 2025 para mercados de peso como a China, Estados Unidos, Japão, Austrália e Nova Zelândia, a cooperativa enfrenta um cenário cinzento este ano. Se em 2025 a CCTL conseguiu comprar 8.500 toneladas de café em cereja, no decorrer de 2026 a recolha somou apenas umas escassas 600 toneladas até à data, expondo um travão a fundo na colheita nacional.

Este bloqueio ameaça diretamente a estabilidade do país, uma vez que o café abrange 90% das exportações não petrolíferas e serve de sustento financeiro a perto de 35% da população de Timor-Leste. Embora o recém-aprovado Plano de Ação Nacional para a Indústria Transformadora 2026-2031 (PANIT) mostre que o setor faturou 17,8 milhões de dólares (15,6 milhões de euros) em 2024 — uma subida face ao ano anterior —, o balanço financeiro está ainda muito distante dos anos dourados de 2021 e 2002, períodos em que as receitas ultrapassaram a fasquia dos 25 milhões de dólares.

À escala global, o café timorense representa menos de 0,1% do mercado mundial de acordo com a FAO. Para contrariar este declínio, a CCTL mantém no terreno programas de formação e capacitação técnica dirigidos aos produtores locais. "Por isso, a CCTL apela ao Governo para investir mais no setor agrícola e que reduza a excessiva dependência do setor petrolífero", rematou Mário Soares, cuja cooperativa exporta ainda, embora em menor escala, especiarias e produtos como a baunilha, cacau, cravinho e pimenta.

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