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Transações suspeitas nos salões da capital mundial do jogo sobem 8,7%
Operadoras de Macau comunicaram mais de duas mil movimentações ligadas a lavagem de dinheiro no primeiro semestre; analistas alertam que o crime organizado continua ativo na região.
Por Redação
Publicado em 08/07/2026 06:28
International
@Lusa

Macau, China, 08 jul 2026 (Lusa) — Os alertas de transações financeiras suspeitas emitidos pelas operadoras de jogo em Macau registaram um crescimento de 8,7% na primeira metade deste ano, face ao período homólogo de 2025, indicam os relatórios oficiais da região chinesa.

De acordo com o balanço do Gabinete de Informação Financeira (GIF), as seis concessionárias que exploram o jogo no território reportaram um total de 2.018 denúncias por suspeitas de financiamento do terrorismo ou branqueamento de capitais. Os dados divulgados esta terça-feira mostram que a maior vigilância e o aumento de participações por parte dos casinos foram os grandes motores para que o volume global de alertas na região subisse 9,5%.

Ao todo, entre janeiro e junho, o GIF contabilizou 2.753 comunicações. Desse bolo financeiro, a esmagadora maioria (73,3%) partiu do setor do jogo, enquanto a banca e as seguradoras representaram 19,1% dos avisos, restando 7,6% para outros quadrantes. Relembre-se que setores sensíveis como joalharias, imobiliárias, casas de leilões ou lojas de penhores têm a obrigação legal de denunciar qualquer movimento que atinja ou ultrapasse as 500 mil patacas (cerca de 54 mil euros).

Este aumento inverte a tendência de 2025, ano em que as participações tinham recuado 6,1% após um máximo histórico registado no ano anterior. O fenómeno da lavagem de dinheiro em Macau continua, aliás, debaixo do radar internacional. Recentemente, em março, a justiça de Taiwan acusou formalmente dez indivíduos de utilizarem os casinos de Macau para branquear perto de 893 milhões de euros gerados por apostas ilegais na internet. Já em 2022, os EUA tinham colocado a capital do jogo na lista negra do branqueamento mundial, apontando o dedo aos negócios dos "junkets" (os angariadores de grandes apostadores VIP).

Mesmo após a queda do império da Suncity e da detenção do seu líder, Alvin Chau, em 2021, os peritos consideram que o território mantém um papel crucial na rota do dinheiro sujo. Ouvido pela Lusa, Martin Pubrick, antigo elemento da Polícia de Hong Kong, explicou que as redes mafiosas chinesas expandiram as suas bases pelo Sudeste Asiático devido à pressão policial, mas continuam a usar Macau como quartel-general de encontros. Por sua vez, John Wojcik, ex-analista da ONU, sublinha que o circuito de lavagem de dinheiro se adaptou: está agora mais disperso e menos visível, operando sobretudo através de esquemas em lojas de penhores, cartões de crédito e balcões de câmbio informais.

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