O descontentamento em torno dos exames nacionais escalou e vai mesmo chegar ao Parlamento. Uma petição pública lançada na semana passada já ultrapassou a fasquia das 9.000 assinaturas, superando com folga o limite legal de 7.500 subscritores necessário para obrigar a Assembleia da República a debater o assunto em sessão plplenária.Na base do protesto está a exigência de anulação das provas do 11.º e 12.º anos, salvaguardando as notas e o futuro dos alunos. Os autores da iniciativa defendem que a fiabilidade e a validade de todo o processo de avaliação estão severamente comprometidas após uma sucessão de problemas graves.
O "batismo de fogo" do digital falhou
Este ano letivo marcou a estreia da correção em formato digital. O plano parecia simples: digitalizar os exames em papel e distribuí-los eletronicamente através de uma plataforma informática para que os professores os pudessem classificar remotamente. No entanto, a transição transformou-se num pesadelo logístico.
Professores e escolas têm reportado múltiplos constrangimentos ao longo das últimas semanas, que incluem:
Erros graves na digitalização, com páginas em branco ou ilegíveis;
Bloqueios constantes e falhas técnicas na plataforma oficial de avaliação;
Atrasos crónicos na distribuição dos exames aos docentes júris de classificação.
Executivo tenta conter os danos
O impacto desta crise informática já obrigou o Governo a intervir. Na semana passada, o Ministério da Educação viu-se forçado a anunciar um adiamento generalizado do calendário: a data de divulgação das notas da primeira fase foi empurrada para mais tarde, arrastando consecutivamente o arranque da segunda fase das provas.
Para os peticionários, estes remendos não bastam, alegando que a ansiedade provocada nos estudantes e o risco de injustiça na avaliação justificam uma medida radical: o cancelamento definitivo dos exames deste ano. O destino do ano letivo está agora nas mãos dos deputados.
Fonte- Lusa