A desigualdade entre homens e mulheres é mais evidente no valor das pensões do que nos salários, segundo dados de 2024 do relatório Pensions at a Glance 2025, citados pelo Diário de Notícias. Em Portugal, as mulheres recebem, em média, pensões de reforma 23% inferiores às dos homens, um valor em linha com a média dos países da OCDE e ligeiramente acima da média registada na União Europeia.
Enquanto a diferença salarial entre géneros ronda os 16%, o fosso aumenta na altura da reforma. Esta realidade resulta, sobretudo, de carreiras contributivas mais curtas, remunerações mais baixas ao longo da vida ativa e menor capacidade de poupança para pensões complementares. Fatores como a maternidade, o trabalho a tempo parcial e as interrupções profissionais continuam a ter um impacto significativo.
Em 2024, a pensão média das mulheres em Portugal fixava-se nos 490 euros, abaixo da média global de 645 euros. As mulheres representam ainda cerca de 60% dos beneficiários de pensões mínimas, sendo que metade dos pensionistas do regime geral aufere menos de 462 euros por mês.
Apesar destes números, Portugal não integra o grupo de países com maiores desigualdades, ao contrário de economias como o Reino Unido, os Países Baixos ou a Áustria, onde a diferença entre pensões de homens e mulheres ultrapassa os 30%. Ainda assim, a disparidade mantém-se relevante, mesmo com a elevada participação feminina no mercado de trabalho.
O relatório aponta, no entanto, sinais positivos. Na Europa, a diferença média nas pensões diminuiu de 28% em 2007 para 22% em 2024. Em Portugal, a redução superou os dez pontos percentuais, embora os efeitos da diminuição do fosso salarial demorem a refletir-se de forma plena nos valores das reformas.
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