Com temperaturas a atingir os 12 graus negativos, a capital ucraniana enfrenta uma emergência humanitária após mísseis e drones atingirem pontos vitais da rede energética.A capital ucraniana voltou a ser alvo de uma ofensiva aérea massiva por parte das forças russas na madrugada desta terça-feira. O bombardeamento, que combinou a utilização de mísseis balísticos e drones kamikaze, visou especificamente as infraestruturas de energia, resultando no corte imediato de eletricidade, água e aquecimento em vários setores da cidade.
Impacto Severo na Margem Oriental
De acordo com os relatos de Vitali Klichkó, autarca de Kiev, e de Timur Tkachenko, responsável pela administração militar regional, a zona este da cidade — situada na margem oriental do rio Dniepre — foi a região mais duramente castigada pelas explosões. O alerta precoce emitido pela Força Aérea ucraniana através do Telegram permitiu que muitos cidadãos procurassem abrigo, mas não evitou os danos críticos na rede de abastecimento.
Estratégia de "Gelo" como Arma de Guerra
Este incidente marca o terceiro ataque de grande envergadura contra o sistema energético de Kiev em menos de duas semanas. A estratégia de focar nos serviços básicos parece ser uma tentativa deliberada de Moscovo de aproveitar a vaga de frio extremo para desmoralizar a população.
O Presidente Volodymyr Zelensky já tinha antecipado este cenário, alertando a comunidade internacional para a iminência de uma campanha russa desenhada para "congelar" a Ucrânia. Desde o dia 9 de janeiro, quando um ataque semelhante paralisou a cidade por 72 horas, que o sistema opera no limite da sua capacidade.
Reforço das Defesas Antiaéreas
Apesar da destruição registada hoje, as autoridades ucranianas contam agora com um novo lote de mísseis antiaéreos recebidos na semana passada. Este reforço militar tem sido fundamental para intercetar parte das ameaças russas, embora a densidade dos ataques desta madrugada tenha conseguido ultrapassar a barreira defensiva em pontos cruciais do território.
As equipas de emergência já se encontram no terreno a tentar restaurar os serviços básicos, numa corrida contra o tempo para evitar o congelamento das tubagens e garantir a sobrevivência dos residentes face às temperaturas polares.
Agência Lusa