A rede de comunicações de emergência nacional voltou a mostrar fragilidades durante a passagem da tempestade Kristin. Em Leiria, o epicentro da destruição, o sistema dependeu de estações móveis para garantir a operacionalidade das forças de socorro.A tempestade Kristin não derrubou apenas árvores e telhados; colocou também em xeque a resiliência do SIRESP. Esta quarta-feira, a circulação de uma das nove estações móveis da rede pelo distrito de Leiria serviu de prova visual de que as infraestruturas fixas voltaram a falhar, repetindo o cenário crítico vivido no grande apagão de abril de 2025.
O Calcanhar de Aquiles: A Dependência da EDP
O problema do SIRESP é estrutural e reside na sua dependência da rede elétrica nacional. Embora as antenas (estações-base) possuam baterias e geradores, a autonomia destes equipamentos é limitada. Quando a eletricidade falha de forma prolongada:
As baterias esgotam-se.
A ligação principal por cabo interrompe-se.
A redundância por satélite — a última linha de defesa — torna-se inútil se não houver energia para alimentar os emissores.
Na prática, isto significa que, no momento em que os bombeiros e a polícia mais precisam de comunicar para coordenar o socorro, o sistema fica mudo.
Estado vs. Privados: O Jogo de Empurra
O Ministério da Administração Interna remeteu-se ao silêncio quando questionado sobre a extensão da falha, mas nos bastidores a tensão cresce. Recentemente, a administração do SIRESP — que é uma empresa estatal desde os incêndios de 2017 — descartou responsabilidades, atribuindo as falhas de conectividade aos operadores privados que fornecem as linhas de transmissão de dados.
Contudo, a estrutura da empresa parece estar à deriva: o SIRESP encontra-se sem presidente no Conselho de Administração há quase dois anos. Enquanto a tutela e os privados discutem contratos e responsabilidades técnicas, o país continua a ver as suas comunicações de emergência ficarem "penduradas" sempre que o mau tempo desliga a luz.
Fonte- Sic Notícias