O Hospital de Santa Maria solicitou aos profissionais que participaram em atividades cirúrgicas adicionais no serviço de Dermatologia que devolvam os valores recebidos indevidamente, noticia o jornal Expresso. A decisão surge após recomendações da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), que auditou a produção cirúrgica e a classificação de doentes entre 2021 e o final do primeiro trimestre de 2025.
O dermatologista Miguel Alpalhão, que deixou recentemente a unidade, recebeu 700 mil euros em três anos por cirurgias adicionais, algumas das quais codificadas de forma irregular. O relatório da IGAS concluiu que várias propostas cirúrgicas não foram inseridas no Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), mas registadas apenas em papel, adulterando a lista de espera. Além disso, atos clínicos analisados receberam incentivos indevidos, incluindo a atribuição do incentivo de malignidade em cerca de 20% das cirurgias analisadas individualmente e 33% no serviço de Dermatologia.
O Conselho de Administração do hospital afirmou que cumpre as deliberações internas e recomendações da IGAS e que os prazos legais de defesa dos profissionais ainda decorrem, pelo que não divulga o montante total a devolver. A devolução das verbas foi aprovada numa reunião realizada 19 de janeiro, com um prazo de 30 dias para resposta dos envolvidos.
O dermatologista visado defendeu-se publicamente, afirmando que cumpriu as ordens superiores e criticou a administração do hospital, considerando injusta a responsabilização apenas sobre si.
A IGAS divulgou que estão atualmente em andamento 10 auditorias sobre a produção cirúrgica adicional em várias unidades do Serviço Nacional de Saúde, sinalizando um reforço da fiscalização sobre este tipo de pagamentos.
Fonte:CNN Portugal / Foto:Hospital Santa Maria