A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, rejeitou a criação de um imposto sobre o capital que não permaneça na Europa, defendendo antes políticas de incentivo capazes de atrair e reter investimento privado no mercado europeu. A posição foi manifestada durante um debate na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha.
Segundo Lagarde, a prioridade deve passar por criar condições favoráveis ao investimento, argumentando que medidas fiscais punitivas podem ser menos eficazes. “Sou mais a favor do incentivo do que do imposto”, afirmou, defendendo que o capital de risco continua a mostrar interesse em áreas estratégicas na Europa, sobretudo ligadas à inovação e tecnologia.
A responsável sublinhou ainda que a inovação europeia vive um momento de crescimento, apontando para o aumento da adoção de inteligência artificial nas empresas e para o dinamismo do investimento privado em setores tecnológicos. Para Lagarde, o reforço do mercado interno e a criação de mecanismos que canalizem a poupança para projetos produtivos podem ser decisivos para a competitividade europeia nos próximos anos.
Durante a intervenção, a líder do BCE mostrou-se também confiante de que várias reformas estruturais possam avançar em 2026, incluindo medidas para aprofundar os mercados de capitais europeus e facilitar o financiamento da economia, numa tentativa de fortalecer o crescimento e reduzir a dependência de capitais externos.
Com esta posição, Lagarde reforça a ideia de que a Europa deve apostar em estímulos ao investimento e na modernização económica, em vez de recorrer a novos impostos sobre o capital, num momento em que o bloco procura melhorar a sua atratividade financeira e tecnológica.
Fonte:Lusa