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Partidos rejeitam inquérito parlamentar sobre utilização das Lajes proposto por PCP e BE
Maioria parlamentar inviabiliza propostas da esquerda para fiscalizar o uso militar da base açoriana pelos EUA, criticando "aproveitamento político".
Por Redação
Publicado em 02/06/2026 21:43
Nacional
@Lusa

Lisboa, 02 jun 2026 (Lusa) — A maioria dos partidos representados na Assembleia da República manifestou-se hoje contra a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para averiguar a utilização da Base das Lajes pelas forças dos Estados Unidos. As propostas, apresentadas pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda (BE), vão a votos na quarta-feira, mas o debate em plenário antecipou uma rejeição generalizada.

A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, abriu as hostilidades acusando o Executivo de agir como "súbdito" de Washington e de Israel, defendendo o inquérito para apurar responsabilidades políticas numa intervenção que considera violar o direito internacional. À esquerda, o deputado do BE, Fabian Figueiredo, acompanhou as críticas, acusando o Governo de apresentar "uma versão para cada dia da semana" sobre se tinha ou não autorizado os voos norte-americanos a partir dos Açores.

Contudo, os argumentos da esquerda mereceram oposição firme à direita e ao centro. O deputado do PSD, Carlos Silva Santiago, acusou o PCP e o BE de tentarem criar "uma narrativa de crise institucional" a partir de divergências ideológicas na política externa. Também o Chega e o CDS-PP alinharam na rejeição, classificando as iniciativas como "propaganda" contra os EUA e rotulando a intenção de "irresponsável".

Por sua vez, a Iniciativa Liberal (IL) argumentou que o inquérito parlamentar serviria os interesses de Moscovo e Teerão, prejudicando as democracias ocidentais. Embora o PS tenha tecido duras críticas à gestão do Governo neste processo — apontando que a operação levanta sérias dúvidas face ao direito internacional —, o deputado socialista Luís Dias esclareceu que o partido não apoiará as comissões de inquérito, preferindo manter o escrutínio direto ao Executivo nas comissões parlamentares permanentes.

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