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Friedrich Merz avisa que vitória da extrema-direita na Alemanha seria um "big bang"
Com uma impopularidade recorde e a ser ultrapassado pela AfD nas sondagens nacionais, o chanceler alemão dramatiza as eleições regionais de setembro e apela à união dos partidos moderados.
Por Redação
Publicado em 06/06/2026 23:28 • Atualizado 06/06/2026 23:29
International
@Lusa

Linstow, Alemanha, 06 jun 2026 (Lusa) — O chanceler alemão, Friedrich Merz, lançou este sábado um sério aviso ao país sobre o risco de o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) vencer as eleições regionais de setembro. O chefe do Governo descreveu esse cenário como um potencial "big bang" que colocará em causa o rumo da maior economia da Europa e a eficácia dos partidos moderados em resolver os problemas dos cidadãos.

As declarações de Merz foram proferidas em Linstow, durante o congresso regional da União Democrata-Cristã (CDU) em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Este estado, juntamente com o de Saxónia-Anhalt — ambos pertencentes à antiga Alemanha de Leste (RDA) —, vai a votos em setembro, e a AfD lidera atualmente as intenções de voto com uma margem confortável em ambas as regiões.

O líder conservador, que enfrenta dificuldades para aprovar reformas urgentes devido a divergências com os seus aliados de coligação sociais-democratas, recorreu a uma metáfora histórica para criticar a AfD. Merz acusou a extrema-direita de querer fazer o país recuar à era anterior a Konrad Adenauer, o primeiro chanceler do pós-guerra, ameaçando os pilares que sustentaram o sucesso da Alemanha democrática. A tensão em torno da AfD subiu ainda mais nos últimos dias após a divulgação de um vídeo polémico em que políticos do partido, na cidade de Gelsenkirchen, obrigavam cidadãos de etnia cigana a limpar a rua.

O forte discurso de Merz surge num momento de extrema fragilidade política para o próprio chanceler. Uma sondagem do Instituto Insa, divulgada este sábado pelo jornal Bild, revela que o bloco de direita CDU/CSU caiu para os 21% nas intenções de voto nacionais, sendo claramente ultrapassado pela AfD, que disparou para os 29%.

Adicionalmente, Friedrich Merz registou o pior índice de aprovação de um chefe de Governo alemão no pós-Segunda Guerra Mundial, com 77% dos inquiridos a manifestarem insatisfação com o seu mandato. O ambiente de crise foi também espelhado pelo ministro da Cultura, Wolfram Weimer, que admitiu à revista Spiegel que a confiança nacional está "profundamente abalada" devido ao abrandamento económico, embora se mostre esperançoso numa recuperação política nos próximos dois anos.

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