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Milhares protestam na Albânia contra 'empreendimento' ligado à família Trump em reserva natural
Pelo sexto dia consecutivo, os manifestantes saíram às ruas em Tirana e na lagoa protegida de Vjosa-Narta para travar o projeto imobiliário avaliado em 4 mil milhões de euros.
Por Redação
Publicado em 07/06/2026 02:00
International
@Lusa

Tirana, 06 jun 2026 (Lusa) — Uma onda de contestação popular está a ganhar força na Albânia. Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado, pelo sexto dia consecutivo, contra a construção de um megaempreendimento turístico de luxo, planeado por uma empresa ligada à família do ex-presidente norte-americano Donald Trump, numa das reservas naturais mais importantes do país.

Na capital, Tirana, os manifestantes — muitos deles integrados no movimento "Geração Z" — cruzaram o centro da cidade empunhando bandeiras nacionais e cartazes com mensagens diretas como "Ivanka, volta para casa" ou "A Albânia não está à venda". O protesto, que culminou em frente à sede do Executivo com pedidos de demissão do primeiro-ministro Edi Rama, foi a maior mobilização registada desde o início da semana.

Em paralelo, centenas de ativistas concentraram-se na lagoa protegida de Vjosa-Narta, a sudoeste da capital, precisamente onde começaram a ser montados os primeiros estaleiros da obra. Munidos de flamingos insufláveis e em papel — ave migratória emblemática daquela região que se tornou o símbolo do movimento —, os ambientalistas exigiram o cancelamento imediato do projeto, alertando que a intervenção humana seria "fatal para a biodiversidade" num dos locais ecologicamente mais ricos do Mediterrâneo.

O projeto imobiliário, avaliado em cerca de 4 mil milhões de euros, está associado a Ivanka Trump e ao seu marido, Jared Kushner. Os planos de Kushner para a região ganharam contornos públicos em 2024, visando a transformação da antiga ilha militar de Sazan e da área da lagoa costeira num destino de férias exclusivo, com hotéis e vilas de luxo.

Apesar da forte contestação e de já terem ocorrido incidentes no local devido à presença de escavadoras na praia, o primeiro-ministro Edi Rama continua irredutível. O governante, acusado pelos manifestantes de favorecer os investidores privados em detrimento do património natural, garantiu que o projeto ainda está em fase de avaliação por "especialistas mundiais" e desvalorizou os protestos, atribuindo as manifestações à interferência de "forças estrangeiras".

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