Dacar, 07 jun 2026 (Lusa) — O presidente da Assembleia Nacional do Senegal, Ousmane Sonko, foi amplamente reeleito para a liderança do Pastef (Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, Ética e Fraternidade), partido que detém a maioria absoluta no parlamento. A votação, que decorreu no sábado em Diamniadio, perto da capital, confirmou a rutura total com o Presidente do país, Bassirou Diomaye Faye, e abre caminho a um período de forte incerteza política e económica.
Sonko, que lidera o Pastef desde a sua fundação em 2014, recebeu o voto unânime dos 583 delegados presentes no primeiro congresso do partido. No seu discurso de vitória, o carismático líder lançou duras críticas ao Chefe de Estado, de quem foi aliado histórico e a quem chegou a apadrinhar nas presidenciais de 2024. Sem rodeios, Sonko avisou que "as revoluções podem ser desviadas se não se dotarem de uma organização capaz" e garantiu que, a partir de agora, "nenhum projeto de sabotagem terá sucesso".
A crise política atingiu o auge a 22 de maio, data em que o Presidente Faye demitiu Sonko do cargo de primeiro-ministro, após meses de tensões e acusações mútuas sobre a gestão da justiça e da dívida pública. Para o seu lugar foi nomeado o banqueiro Ahmadou Al Aminou Mohamed Lô, que formou um novo Executivo boicotado pelo Pastef, mas que conta com o apoio de dissidentes do partido.
Com o controlo de 130 dos 165 assentos parlamentares, Sonko tem agora o poder de ditar o futuro do novo Executivo através de uma moção de censura. Apesar de ter afirmado que o Governo "pode cair em 72 horas" se o partido assim o desejar, o líder do Pastef garantiu que, para já, a estratégia passa por fiscalizar as ações governativas a partir da Assembleia Nacional. Por sua vez, o Presidente Faye só poderá dissolver o parlamento a partir de novembro, restando-lhe a opção constitucional de governar por decreto durante três meses em caso de bloqueio institucional absoluto.
Esta rutura entre os dois antigos companheiros de rota política — que venceram as eleições sob o lema de que eram indissociáveis — ameaça agora afastar os doadores internacionais, numa altura crítica em que o Senegal se encontra fortemente endividado.