Bruxelas, 06 jun 2026 (Lusa) — A União Europeia manifestou este sábado o seu otimismo moderado em relação ao futuro da paz no Médio Oriente, afirmando que aguarda que as negociações entre Israel e o Líbano prossigam de forma positiva. A declaração foi feita pela Alta Representante para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, na sequência do recente cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.
Em comunicado emitido em nome dos 27 Estados-membros, Kallas sublinhou que o entendimento alcançado na passada terça-feira em Washington abre uma "nova oportunidade para pôr fim ao conflito" e estabelecer uma estabilidade duradoura na região. A chefe da diplomacia europeia apelou a que ambas as nações mantenham os canais de diálogo direto com um "espírito construtivo", exortando todas as partes envolvidas a cumprirem rigorosamente as condições estabelecidas e a rejeitarem quaisquer exigências extra impostas pelo Hezbollah.
O acordo de cessar-fogo obriga a milícia xiita libanesa a interromper os seus ataques e a suspender as operações militares no sul do Líbano. Contudo, o ambiente permanece tenso, dado que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, já veio a público criticar o teor das negociações com Telavive — classificando-as como "humilhantes" — e assegurou que o grupo continuará a responder militarmente às investidas israelitas se estas persistirem.
Face a este cenário, a Alta Representante europeia detalhou os passos seguintes para a pacificação: o Hezbollah terá de recuar para lá do rio Litani e as forças israelitas devem retirar-se do território vizinho. Kallas reiterou o compromisso de Bruxelas em apoiar o Governo de Beirute, lembrando o recente apoio financeiro de 100 milhões de euros atribuído às Forças Armadas Libanesas para reforçar as suas capacidades operacionais.
A diplomata concluiu exigindo que Israel respeite a soberania e a integridade territorial do Líbano, conforme as resoluções da ONU, e pediu o desarmamento das milícias não estatais. Kallas aproveitou ainda para condenar firmemente o ataque de quinta-feira contra a missão de paz da ONU (FINUL), que resultou na morte de um capacete azul, classificando o ato como uma grave violação do Direito internacional que exige uma responsabilização total.