Teerão, 28 de junho de 2026 (Lusa) — O Governo do Irão acusou formalmente os Estados Unidos de desrespeitarem mais uma vez o memorando de entendimento desenhado para pôr fim às hostilidades entre as duas potências. A denúncia surge na sequência de novos ataques aéreos norte-americanos dirigidos a infraestruturas na costa sul iraniana, com Teerão a garantir que está fortemente determinada em ripostar por canais militares a qualquer tipo de investida.
Em comunicado oficial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano classificou as investidas de "ataques selvagens", sublinhando que as ações de Washington representam uma violação clara tanto da Carta das Nações Unidas como da primeira cláusula do acordo de paz em vigor. Para a diplomacia de Teerão, este comportamento prova que o Governo norte-americano "não concede o menor valor nem credibilidade" às palavras dadas, acrescentando que a quebra de pactos está enraizada na "natureza" política dos Estados Unidos.
O executivo iraniano apelou ainda à intervenção direta do Conselho de Segurança da ONU e do secretário-geral António Guterres, lembrando o papel da organização na manutenção da estabilidade mundial. No mesmo documento, o Irão invocou o direito à legítima defesa para assegurar que protegerá a sua soberania e integridade territorial com unhas e dentes.
Esta nova troca de acusações acontece depois de as forças militares norte-americanas terem avançado para uma segunda vaga consecutiva de bombardeamentos contra posições estratégicas iranianas. O Pentágono justificou a operação como uma resposta direta a um ataque com drones — atribuído a Teerão — contra um navio petroleiro que cruzava o Estreito de Ormuz.
A tensão subiu ainda mais de tom após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter recorrido à rede social Truth Social para acusar o Irão de quebrar o cessar-fogo. Na sua publicação, o líder norte-americano ameaçou endurecer a campanha militar a um nível extremo, avisando de forma musculada que, em caso de insistência nas provocações, a República Islâmica "deixará de existir".
A reação de Teerão não se fez esperar. A Guarda Revolucionária do Irão retaliou quase de imediato, disparando mísseis e veículos aéreos não tripulados contra alvos específicos no Kuwait e no Bahrein. O grupo militar de elite emitiu também um aviso à navegação internacional, prometendo agir com uma "firmeza sem precedentes" contra qualquer embarcação que viole as regras de passagem no crucial Estreito de Ormuz.