Telavive, 28 de junho de 2026 (Lusa) — As Forças de Defesa de Israel (FDI) comunicaram este domingo a neutralização de "vários terroristas armados" em território sírio, numa operação realizada no sábado pela Brigada Etzioni. Segundo a nota oficial divulgada pelo exército israelita, as mortes ocorreram na chamada "zona de segurança" que o país mantém no sul da Síria.
No mesmo documento, as chefias militares sublinharam que as tropas vão continuar em funções na referida região fronteiriça, com o objetivo claro de antecipar e eliminar qualquer perigo que possa visar os militares em serviço ou a população civil do Estado de Israel.
Esta faixa territorial no sul da Síria encontra-se sob controlo e ocupação militar israelita desde os meses finais de 2024. A presença na região ganhou novos contornos políticos na passada quinta-feira, data em que o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, assumiu publicamente a intenção do Governo em prolongar a permanência das suas tropas no local por tempo indeterminado, traçando um paralelo com as estratégias em curso na Faixa de Gaza e no Líbano.
A insistência de Israel em manter operações ativas na Síria tem motivado fortes reparos por parte da comunidade internacional. No passado dia 22 de junho, as Nações Unidas confirmaram que as movimentações das FDI na zona continuam a decorrer de forma intensa, constituindo uma quebra direta do Acordo de Separação de Forças assinado entre as duas nações em 1974.
Durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU focada na crise síria, o enviado especial adjunto Claudio Cordone denunciou que os soldados israelitas realizam incursões quase diárias em solo sírio. De acordo com o diplomata, estas missões incluem a montagem de postos de controlo temporários, buscas domiciliárias e detenções de cidadãos locais. Embora uma parte dos civis interrogados acabe por ser libertada, a ONU alerta que vários continuam sob custódia das forças de Telavive, existindo ainda relatos de estragos significativos em campos agrícolas e restrições à livre circulação de pessoas.
Apesar do cenário de forte pressão, Cordone realçou que o Executivo de Damasco tem optado por uma postura de contenção e já se mostrou disponível para desenhar um entendimento de segurança com Israel, embora ainda não se tenham verificado avanços concretos nas negociações. Perante a escalada de tensão, a ONU renovou o apelo para que Israel honre o tratado de 1974 e devolva a liberdade aos detidos.