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Menino de 11 anos resgatado vivo três dias após sismos na Venezuela
A descoberta da criança traz uma luz de esperança numa altura em que o tempo se esgota para os mais de 50 mil desaparecidos e o balanço de mortos já supera os 1.400.
Por Redação
Publicado em 28/06/2026 10:57
International
@Lusa

Caracas, 28 de junho de 2026 (Lusa) — Um rapaz de 11 anos foi retirado com vida de debaixo das ruínas na localidade de Caraballeda, no norte da Venezuela. O resgate aconteceu cerca de três dias após os violentos sismos que abalaram o país, tendo a notícia sido avançada pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.

Através de uma publicação na rede social X, que incluía imagens em vídeo do momento em que a criança foi salva, a governante sublinhou o impacto emocional do acontecimento: "Neste momento, cada vida é uma fonte de esperança para a Venezuela", escreveu Rodríguez.

O salvamento deste jovem surge num momento crítico, uma vez que já se ultrapassou a barreira dourada das 72 horas após a catástrofe de quarta-feira. Os dados oficiais mais recentes apontam para pelo menos 1.430 vítimas mortais e 3.328 feridos, números que as autoridades temem que continuem a subir de forma acentuada à medida que as buscas avançam.

Para responder à emergência humanitária, montou-se uma vasta operação internacional que conta com equipas de resgate de pelo menos 17 nações, incluindo Portugal e vários parceiros da União Europeia. Embora o cenário seja adverso e as hipóteses de sobrevivência diminuam a cada hora, os socorristas mantêm o empenho em contrariar as estatísticas em cidades costeiras fortemente afetadas, como La Guaira.

Segundo as estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), os tremores de terra afetaram diretamente cerca de sete milhões de pessoas. No plano financeiro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento calcula que os estragos materiais ascendam a sete mil milhões de dólares (cerca de seis mil milhões de euros), o equivalente a 6% do PIB da Venezuela. A complexidade do cenário nos escombros é agravada pelo facto de haver mais de 50 mil pessoas dadas como desaparecidas, segundo alertas do responsável humanitário da ONU, Tom Fletcher.

A tragédia tocou também de perto a comunidade portuguesa radicada no país. De acordo com o balanço disponível, há o registo de pelo menos 48 cidadãos portugueses e lusodescendentes entre as vítimas mortais, permanecendo ainda outras 83 pessoas de origem lusa desaparecidas ou sem qualquer possibilidade de contacto.

A ajuda internacional começa, ainda assim, a fluir com a reabertura parcial de uma das pistas do aeroporto de Caracas, que já se encontra a receber aeronaves carregadas de bens essenciais provenientes dos Estados Unidos. Recorde-se que a catástrofe foi provocada por dois sismos quase simultâneos — de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala de Richter — com epicentro a cerca de 200 quilómetros da capital, provocando o colapso total ou parcial de dezenas de edifícios.

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