Beirute, 28 de junho de 2026 (Lusa) — Um caça militar de Israel lançou este domingo um ataque aéreo na região sul do Líbano. A ofensiva militar ocorre escassas 48 horas depois de os dois países terem celebrado um acordo histórico com vista a uma "paz duradoura" — um entendimento que o braço político e armado do Hezbollah já garantiu que vai boicotar.
Segundo as informações recolhidas pela agência AFP junto da Agência Nacional de Informação libanesa (ANI), o bombardeamento da Força Aérea israelita teve como alvo o perímetro das localidades de Taybeh e Deir Seryan.
A par das movimentações no terreno, a tensão política subiu de tom com as declarações do deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah. O responsável declarou categoricamente que o pacto alcançado na última sexta-feira, sob a égide diplomática de Washington, "não sairá do papel", deixando um alerta severo para a iminência de um cenário de rutura e conflito interno no país.
A tomada de posição do Hezbollah surge em contracorrente com os esforços do Presidente do Líbano, Joseph Aoun. No sábado, o chefe de Estado libanês conversou diretamente com o homólogo norte-americano, Donald Trump, comprometendo-se a assumir a liderança na execução do tratado. O grande pomo da discórdia reside no facto de o documento condicionar a saída das tropas de Telavive do território libanês ao desarmamento integral do movimento xiita.
O Hezbollah, que sempre combateu o acordo, vê no texto uma capitulação face às exigências israelitas. Naïm Qassem, líder do movimento, rotulou a parceria de "erro grave", considerando-a uma cedência "humilhante e vergonhosa" que coloca em causa a soberania do Líbano e branqueia a ocupação estrangeira. No mesmo sentido, Fadlallah reforçou que o grupo manterá a resistência armada ativa. "O nosso dedo continuará no gatilho", vincou, acusando o Governo de empurrar o país para a discórdia interna.
Do lado de Telavive, os sinais também não são de descompressão. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, deu indicações claras no sábado para que as forças armadas preparem as condições logísticas para uma "estadia de longa duração" no sul do Líbano, zona que ocupam operacionalmente desde o passado mês de março. Entretanto, o Ministério da Saúde libanês confirmou a morte de uma pessoa na sequência de outro ataque israelita registado este sábado na zona de Nabatiyé al-Fawqa.