Paris, 28 de junho de 2026 (Lusa) — Uma fatia considerável da população europeia, estimada em pelo menos 191 milhões de pessoas, vai enfrentar este domingo temperaturas máximas superiores a 35°C. De acordo com projeções estatísticas efetuadas pela agência internacional AFP, o pico do calor vai incidir com maior violência sobre territórios na Alemanha, Polónia, Hungria e República Checa, traduzindo-se ainda assim num ligeiro recuo face aos picos térmicos validados na véspera.
No cômputo geral da geografia europeia (excluindo o território da Turquia), a fasquia dos 30°C será superada ao longo do dia na zona de residência de mais de 381 milhões de cidadãos, um recuo face aos mais de 400 milhões de afetados registados durante a jornada de sábado.
Esta modelagem demográfica cruzou os boletins do Serviço Meteorológico Alemão com dados de densidade populacional fornecidos pelo Centro Comum de Investigação da União Europeia. As conclusões obtidas validam as leituras independentes já divulgadas pela plataforma austríaca Klimadashboard através da sua ferramenta de monitorização climática.
O mapa de calor desenhado para hoje estende virtualmente o manto de ar quente a quase totalidade dos territórios polaco, húngaro e checo. Na Alemanha, a barreira dos 35°C vai abranger cerca de 42 milhões de pessoas, incluindo os residentes na capital, Berlim. O raio de ação da canícula estende-se ainda a nações como a Áustria, Eslováquia, Croácia, Sérvia, Itália e à região ocidental da Ucrânia.
Em contrapartida, a situação caminha para a normalização na área continental de França, onde as autoridades preveem levantar os avisos de alerta vermelho no final da noite de hoje, depois de um dia em que 11 milhões de franceses ainda sofreram o impacto do calor.
Especialistas ligados ao projeto European Heat Tracker alertaram, contudo, que os modelos matemáticos utilizados assentam numa grelha com resolução de 6,5 quilómetros. Esta escala macro impede a deteção precisa das chamadas "ilhas de calor urbanas" — o fenómeno físico em que o betão e o asfalto retêm o calor nas metrópoles. Como tal, os cientistas admitem que a estimativa final peque por escasso, estando o número real de cidadãos afetados nas grandes cidades previsivelmente subestimado.