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Venezuela/Sismo: Líder da oposição diz que "chegou a hora" de regressar ao território
María Corina Machado expressa vontade de voltar para apoiar as vítimas dos sismos, mas o governo de Washington encara o pedido como inoportuno e uma jogada política.
Por Redação
Publicado em 29/06/2026 08:23
International
@Lusa

29 de junho de 2026 (Lusa) — A principal figura da oposição na Venezuela, María Corina Machado, anunciou publicamente que pretende voltar ao seu país natal a muito curto prazo. A decisão surge na sequência da crise humanitária provocada pelos violentos terramotos que assolaram a nação na passada quarta-feira.

Em declarações concedidas à cadeia de televisão norte-americana Fox News, a vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2025 sublinhou o seu dever de solidariedade. "Chegou a hora. É meu dever estar com o meu povo. Precisamos de estar juntos para nos abraçarmos, chorarmos, lamentarmos juntos, mas também para nos fortalecermos mutuamente neste momento tão difícil", vincou a opositora, que se encontra a viver no exílio.

A atual catástrofe na Venezuela contabiliza, de acordo com as últimas informações governamentais, pelo menos 1.450 vítimas mortais e 3.150 feridos, na sequência de dois abalos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 na escala de Richter. O desastre afetou diretamente perto de 13 mil famílias.

Machado está fora da Venezuela desde o término de 2015, período que se seguiu a vários meses na clandestinidade para escapar a uma ordem de detenção emitida pelo regime de Nicolás Maduro após o ato eleitoral de 2014. Perante a tragédia recente, a líder recorreu de imediato às plataformas digitais para apelar à resiliência e coesão da população, reiterando que o foco primordial tem de ser o salvamento de vidas e o apoio aos desalojados.

Apesar da determinação manifestada por María Corina Machado, as intenções da política venezuelana estão a ser recebidas com forte ceticismo na capital dos Estados Unidos. Conforme avançado pelo jornal The New York Times, que cita fontes governamentais sob anonimato, o pedido de apoio logístico formulado por Machado à administração de Donald Trump foi classificado como "inoportuno" e interpretado por um dos funcionários como uma "manobra política".

A opositora, que no ano passado decidiu doar a sua medalha do Nobel ao presidente norte-americano, já vinha a ensaiar este regresso há vários meses.

Contudo, os bastidores da Casa Branca revelam contornos complexos. O mesmo jornal adianta que, durante uma sessão de trabalho em março, altos quadros norte-americanos manifestaram sérias dúvidas quanto às garantias de segurança de Machado no terreno. Além disso, as fontes apontam que o foco diplomático de Washington está atualmente direcionado para a articulação direta com o executivo liderado pela presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.

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