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Epidemia de Ébola alastra para uma quarta província da RDCongo
Surgimento de caso em Haut-Uélé coloca todo o nordeste do país sob alerta; surto já é o terceiro mais mortífero da história e afeta o vizinho Uganda.
Por Redação
Publicado em 29/06/2026 17:04
International
@Lusa

Kinshasa, 29 jun 2026 (Lusa) – A epidemia de Ébola na República Democrática do Congo ganhou uma nova e preocupante dimensão com a confirmação de pelo menos um contágio numa quarta província, deixando toda a região nordeste do país sob o impacto do vírus. Fontes laboratoriais e sanitárias locais indicaram que o novo caso foi detetado na província de Haut-Uélé, uma zona que faz fronteira com a República Centro-Africana e o Sudão do Sul. De acordo com informações avançadas pela agência AFP, o paciente infetado terá viajado a partir de Bunia, a capital da vizinha província de Ituri, que se mantém como o grande foco da doença.

O surto atual, oficialmente identificado a 15 de maio, já provocou a morte de 360 pessoas num universo de 1.274 casos confirmados, concentrando-se a esmagadora maioria das fatalidades e contágios em Ituri. Contudo, a progressão geográfica do vírus já se tinha feito notar anteriormente com a chegada às províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, tendo inclusive cruzado a fronteira em direção ao Uganda, onde foram validados duas dezenas de diagnósticos. O alerta em torno da doença ganhou contornos intercontinentais após as autoridades de saúde francesas terem confirmado um caso positivo num médico que tinha regressado recentemente de território congolês.

Os indicadores mais recentes partilhados pelo Instituto Nacional de Saúde Pública da RDCongo apontam para uma taxa de mortalidade fixada nos 28,3%, estando mais de cinco centenas de pacientes sob isolamento ou internamento hospitalar. A situação é agravada pelo facto de este surto pertencer à estirpe de Bundibugyo que, segundo os dados da Organização Mundial da Saúde, não possui uma vacina validada nem terapias de tratamento direcionadas. Classificada pela OMS como uma "emergência de saúde pública de importância internacional", esta crise sanitária já se posiciona formalmente como a terceira pior vaga de Ébola alguma vez registada a nível global.

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