Lisboa, 29 jun 2026 (Lusa) - O mais recente relatório emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou que a fasquia de cidadãos de nacionalidade portuguesa e seus descendentes que perderam a vida nos sismos da passada quarta-feira na Venezuela atingiu as 56 vítimas. A atualização oficial dá conta de que, deste total de óbitos, 50 indivíduos possuíam dupla cidadania. A caracterização das vítimas mortais revela ainda que a tragédia vitimou oito menores de idade e 48 adultos, superando os 53 falecimentos que haviam sido contabilizados no balanço governamental de domingo. Em paralelo, as autoridades diplomáticas continuam a tentar localizar 91 portugueses ou lusodescendentes cujo paradeiro permanece incerto, divididos entre 54 homens e 37 mulheres.
A nível global, os violentos abalos que fustigaram o território venezuelano no dia 24 de junho já provocaram uma contagem oficial provisória de, pelo menos, 1.450 mortos e mais de 3.150 pessoas feridas. Os dados das Nações Unidas traçam um cenário ainda mais severo, apontando para mais de 50 mil desaparecidos em termos globais. Em resposta à catástrofe, uma vaga de solidariedade internacional mobilizou vários países, com Portugal e outros parceiros da União Europeia a destacarem operacionais de socorro e salvamento para o terreno. O contingente humanitário português estabeleceu o seu centro operacional na localidade de Catia la Mar, situada no estado de La Guaira, uma região conhecida por acolher uma forte comunidade da diáspora lusa.
De acordo com as medições do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o desastre foi provocado por dois sismos sucessivos, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, localizados a cerca de 200 quilómetros de Caracas. Os terramotos ocorreram de forma quase simultânea, distanciados por menos de 60 segundos, desencadeando posteriormente uma sucessão de mais de duas dezenas de réplicas de menor intensidade. O impacto dos tremores de terra provocou a destruição total e danos estruturais severos em dezenas de imóveis residenciais e comerciais, afetando gravemente a capital venezuelana e as imediações de La Guaira.